O desfalque de oito pediatras no atendimento nos Pronto-Socorros (PS) de Bauru provocou reclamação generalizada por parte de mães, que ontem não conseguiram assistência médica para seus filhos nos PSs instalados nos bairros e tiveram que recorrer ao Pronto Atendimento Infantil (PAI).
Devido a aglomeração de pessoas, cerca de 50 mulheres, e a falta de um especialista da área médica, a espera pela assistência no PAI, ontem, chegou a duas horas e meia e suscitou o despero e a revolta maternos.
Marilene Dolores da Silva, que acompanhava sua filha e seu neto doente, contava os minutos para ser atendida. O bebê de nove meses acabou recentemente um tratamento para curar-se de uma pneumonia e voltou a sofrer com febre alta e dores. “Antes de vir para cá, procurei assistência no PS do Mary Dota, mas não encontramos pediatras. Mesmo sem dinheiro, tivemos de nos virar para conseguir atendimento aqui no PAI. Estou revoltadaâ€, explica a avó.
Reclamação da mesma natureza fez Geni Domingues, moradora do Núcleo Beija Flor. Com o filho de dois anos e meio na mesma situação - febre alta - também buscou assistência, em vão, no PS do Mary Dota. “Como precisava de médico urgente, me dirigi ao PAI, mas estou aqui desde às 14h e não consegui resolver meu problemaâ€, queixou-se à reportagem às 17h30.
A enfermeira diretora da Divisão de Serviços Técnicos, Aida Maria Marasco, confirmou o atraso e atribuiu o problema especialmente à falta de profissionais nas unidades descentralizadas de atendimento, responsáveis pela assistência de casos mais complexos, localizadas no Bela Vista, Ipiranga e Mary Dota. Mas segundo ela, outros fatores agravaram o grande movimento desta segunda-feira.
“A demora de hoje (ontem) é conseqüência de um aumento da demanda por razões ainda não identificadas e que estão sob análise, através de dados estatísticos. Há duas semanas, o número de crianças encaminhadas ao PAI subiu 93%. Uma virose causadora de febre e gripe tem ajudado a aumentar os números, além da mudança do tempo e da escassez de pediatrasâ€, explica.
Marasco ainda informou que a Secretaria Municipal de Saúde precisa contratar mais quatro especialistas e que outros quatro estão gozando de férias, licença-prêmio, licença gestante e saúde, o que resultou nos oito défictis. Contudo, a administração municipal só está repondo funcionários em casos de exonerações e mortes, em função do período eleitoral e da Lei de Responsabilidade Fiscal.
“O que estamos fazendo agora é a reivindicação de novas contratações de emergência e reposição, mas o processo não é fácil porque os profissionais que já foram aprovados em concursos públicos recentes têm um prazo extenso para assumir suas funções. Além disso, o último concurso não foi suficiente para amenizar as dificuldadesâ€, defende a enfermeira.
Apenas dois médicos se inscreveram para participar do processo seletivo, que visava contratar, via concurso, quatro profissionais. “Como o mercado para médicos desta especialidade é vasto em Bauru, os profissionais não demonstram interesse no concursoâ€, conclui Marasco.