Bairros

Praça Palestina: enchente pode ter fim

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Um acordo firmado ontem entre a Prefeitura Municipal de Bauru e a Ferrovias Bandeirantes S/A (Ferroban) pode acabar com o pesadelo dos moradores que vivem nas proximidades da praça Palestina, no núcleo do Jardim América. A região constantemente sofre com inundações nos períodos de chuva.

O termo de ajustamento entre as partes, viabilizado através do empenho do Ministério Público Estadual, prevê a instalação de um tubo de armco de 1,60 metro de diâmetro sob o aterro onde estão instalados os trilhos da Ferroban, no final da praça. O novo canal vai facilitar o escoamento de águas pluviais, evitando futuras enchentes.

Para que o problema seja resolvido, a empresa férrea e a prefeitura vão trabalhar em conjunto e dividir responsabilidades. O projeto das obras e a doação do tubo constam no acordo como atribuição da Ferroban, já a execução do trabalho foi imputado à administração municipal.

Segundo o secretário municipal dos Negócios Jurídicos, Luiz Pegoraro, a intenção é dar início às obras o mais rápido possível. “Esperamos que todo o trabalho seja concluído antes do período das águas”, explica. Como o investimento deve versar o montante de R$ 80 mil, a prefeitura terá de abrir um processo licitatório através de carta-convite para contratar a empreiteira responsável pela instalação do tubo.

A empresa vencedora do processo terá de seguir um projeto desenvolvido pelos engenheiros da ferrovia, já que qualquer obra que tenha interferência na segurança do transporte ferroviário depende da aprovação e a acompanhamento dos mesmos.

Por essa razão, tanto o secretário municipal de Obras, Antonio Carlos Duarte, como o das Administrações Regionais, Arlindo Figueiredo, não souberam informar com precisão de que maneira o tubo de armco será instalado junto aos outros dois tubos já existente no local.

Existe a possibilidade dele ser colocado através de um processo em que o aterro não precise ser escavado, através de máquinas específicas para esta finalidade. Assim, a obra seria concluída com rapidez.

Burocracia

Mas foi justamente as discussões sobre como fazer o trabalho e de quem era a responsabilidade por ele que tornou morosa a assinatura do acordo, discutido há quase um ano no Ministério Público Estadual.

O promotor Fernando Masseli Helene, após receber denúncias por parte de moradores da região que sofreram com as inundações, decidiu intervir no assunto antes que o problema provocasse novas vítimas. “Como as partes se recusavam a firmar um acordo, um atribuindo a responsabilidade pelo problema ao outro, decidi entrar com uma ação. Contudo, ela poderia perdurar pelo judiciário por vários anos e a situação não iria mudar a curto prazo”, explicou.

Apesar das dificuldades na fase inicial das negociações, o promotor acreditava numa saída mais fácil para a questão e insistiu. “Depois de alguns encontros, a coisa fluiu. O que é ótimo, porque eu esperava uma solução amigável, antes que registrássemos perda de vida no local”, ressaltou.

Mortes não ocorreram na região, mas vários moradores arcaram com sérios prejuízos em épocas de chuva. É o caso de Alexandre Rodrigues da Silva, que mora na rua Barra Bonita, quadra 4, ao lado da praça.

No dia 8 de fevereiro do ano passado, a casa dele ficou submersa. Ele perdeu geladeira, TV, rádio, entre outros utensílios. “Quando começa a chover, levantamos tudo com medo das águas. Virou um pesadelo. Cheguei a acionar a prefeitura na Justiça. Acho ótimo que a obra comece logo, pois ela está atrasada há seis anos”.

Opinião semelhante tem seu vizinho Carlos César Baldin, morador da rua Paulino Rafael, quadra 2. Ele também sofreu prejuízos, uma vez que seus dois carros ficaram sob a água, na mesma época. Contudo acredita que não seja o momento de reclamar. “A obra é muito bem-vinda e deve ser iniciada logo, antes que novas desgraças sejam registradas por aqui”, conclui.

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A maior

A praça Palestina é a maior em extensão de Bauru e já chamou a atenção pela beleza. Mas da década de 90 para cá, ela passou a sofrer com as inundações devido ao crescimento desordenado da cidade. A situação se agravou naquela região devido à decisão de grande parte dos moradores de cimentar seus quintais, o que aumentou o volume de água que sai na rua.

Desta maneira, por várias vezes a praça sucumbiu às erosões, que tomavam quase toda sua extensão. Para amenizar a situação, várias obras paliativas foram realizadas no local. Uma tubulação não resistente à ação química, por exemplo, foi instalada para ajudar na vazão da água, o que surtiu resultado provisório, porém posteriormente foi corroída. Através do acordo, essa situação deve ser definitivamente resolvida.

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