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Dirigente de Ensino barra o plebiscito da Alca nas escolas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O dirigente de Ensino Jair Sanches Vieira não autorizou a realização do plebiscito sobre a adesão do Brasil à Área de Livre Comércio das Américas (Alca) nas escolas estaduais de Bauru. A medida vai dificultar a participação dos jovens na votação de abrangência nacional, que será realizada até amanhã.

Para justificar sua atitude, Sanches Vieira alega que a Secretaria de Estado da Educação não encaminhou orientações sobre o assunto. Também diz não ter recebido com antecedência um comunicado dos organizadores locais do plebiscito referente à atividade nas escolas.

Contudo, sua resistência ao plebiscito não se restringe ao aspecto burocrático. “Não considero a votação legítima porque ela é direcionada. A campanha, por exemplo, é bandeira política do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Além disso, ninguém tem controle dos votantes, a mesma pessoa pode votar quantas vezes quiser. Portanto, a consulta não é válida”, explica.

A decisão do dirigente tomou de surpresa os professores que, por meses, desenvolveram trabalhos sobre a Alca com seus alunos. É o caso da professora, diretora e conselheira do Sindicato dos Professores (Apeoesp), Luzia Conceição Quinezi.

Segundo ela, a própria Secretaria de Estado da Educação cobra a formação crítica dos alunos. “O curioso é que quando estamos para concluir um trabalho, todo o esforço é desmobilizado. Além disso, protocolamos informe sobre o plebiscito uma semana antes dele ser iniciado”, explica.

Para ela e para o colega Duílio Duka de Souza, também conselheiro da Apeoesp, a decisão é autoritária, uma vez que a campanha da Alca envolve vários partidos, sindicatos, entidades, além da Igreja Católica. “O Jair tem o direito de pensar como pensa, mas não tem o direito de fazer com que os outros pensem como ele. Não temos culpa se um partido tomou o plebiscito como bandeira”, defende Duka.

Na opinião dele, Sanches Vieira atrapalhou o processo porque é orgânico do PSDB. Compartilham do mesmo pensamento professores da escola Stela Machado que, com medo de represálias, pediram para não ter o nome divulgado. Nesta escola, as urnas e cédulas foram impedidas de entrar. “A consulta popular é apartidária”, ressalta um deles.

Como o dirigente não se manifestou oficialmente até ontem, em várias escolas a votação está sendo realizada normalmente. Entretanto, naquelas em que o plebiscito for proibido, a votação será realizada em frente à instituição.

A medida paliativa encontrada pelos organizadores da votação pela Alca agradou alguns alunos do Stela Machado, que se preparam para votar.

“Nós fizemos vários trabalhos sobre o assunto. Só de geografia, dois. Assistimos palestras etc. Agora eu quero votar, mesmo que seja fora da escola. Até a minha mãe quer participar do plebiscito”, conta Cibele Moreira Pessoa, 16 anos, aluna do primeiro colegial.

Patrícia Rosa Araújo, 18 anos, do segundo colegial, também disse fazer qualquer esforço para votar. “Todo mundo fala que a gente tem que fazer alguma coisa pelo Brasil, quando esta oportunidade chega, nos é arrancada”, critica.

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