No afã pueril de mostrar serviço à comunidade (eleição faz milagre), a Prefeitura Municipal de Bauru e a fantasiosa Secretaria do Desenvolvimento Econômico, ambas movidas pelo bauruísmo ufanoso de seus titulares, acabam de alardear seu mais recente projeto e “presente de grego†para a cidade de Bauru: trata-se de um “mega-empreendimento comercialâ€, investimento este que, devido à atual conjuntura econômica, está fadado a tornar-se mais um “elefante branco†para a cidade de Bauru. Nem é preciso ser de alguma ONG antiprogressista para avaliar que Bauru não tem mercado consumidor e poder aquisitivo para tanto e que a tendência é que haja por conseqüência deste “ambicioso projeto†uma quebradeira geral do comércio, principalmente da região sul da cidade, que já apresenta enormes dificuldades com retração nas vendas, pesadelos operacionais, inadimplência alta, etc (se uma simples e esporádica “Feira de Fabricantes†já causa transtornos a alguns comerciantes...). Também, o que gera emprego e renda no Brasil de hoje são investimentos em pequenas e médias empresas e, enquanto não houver uma reforma tributária que principalmente desonere a produção, a tendência é exatamente esta, tanto em relação à indústria, comércio, serviços e também agricultura. Portanto, no Bauru de hoje, quanto maior o investimento, maior também será o risco do negócio dar errado e por diversos fatores, inclusive macro-econômicos. Ou se encara esta realidade serenamente ou devaneia-se com falsas ilusões. Evidentemente que isto não quer dizer que não se deva investir, mas os investimentos, principalmente aqueles que têm o aval do setor público, devem merecer análises de custo-benefício social mais criteriosas e não simplesmente fantasiar a realidade com números e erguerem “frias†e suntuosas obras que impressionam por aparentar um superficial progresso mas que mascaram nossa nua e crua realidade. Será que Bauru tem uma demanda reprimida sub-avaliada? Qual o ideal de desenvolvimento que este caso desperta? Será que os responsáveis pelo desenvolvimento econômico da cidade sofrem de “dissonância cognitiva†em relação à nossa realidade? Qual a justificativa para esta visão delirante de uma “Baurulândiaâ€? Entretanto, não é uma simples questão de preconizar o “negativismo†ou de semear o desalento mesmo porque Bauru é a “síntese-média†do que ocorre no Brasil e seguirá seu rumo natural de desenvolvimento independentemente da ação de quem governe, mas será que este “otimismo extasiado†de alguns não está alimentando falsas expectativas e fazendo “mal†para Bauru? (Aurélio da Silva Braga - RG: 12.912.493)
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