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Adrenalina off road

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Ele começou na manhã do último sábado, em uma enorme carreata pela avenida Nações Unidas, em Bauru, e terminou quase à noite, em pleno contato com a natureza, após muita emoção e lama. Assim pode ser resumida a quinta edição do Passeio Brurac de Jipe de Bauru, também conhecido como Bauru Off Road.

Centenas de jipeiros da cidade e de vários municípios da região, como Dois Córregos, Botucatu, Lençóis Paulista, Avaré e Chavantes, participaram do evento, organizado ineditamente pela ala feminina do Clube do Jeep bauruense.

No estacionamento do Bauru Shopping Center, local escolhido como ponto de partida, a ansiedade e o clima de descontração eram visíveis naqueles que seriam os protagonistas do verdadeiro espetáculo fora de estrada. Tanto que, encerradas as inscrições, um comboio de jipes formou-se rapidamente com destino certo: as trilhas do Brurac, distantes cerca de 15 quilômetros da zona urbana.

Já durante a estrada de acesso às mesmas, um cenário desolador e que não combina com a mentalidade de respeito ao meio ambiente pregada pelos jipeiros: lixo, de todos os tipos, espalhado por quase todo o caminho. “Tanto os que, como nós, utilizam as trilhas para lazer quanto os que dependem dela de alguma forma têm de se conscientizar que a natureza existe para ser preservada”, adverte o jipeiro bauruense Antônio Carlos Telles Nunes.

Mesmo assim, logo a “jipeata” alcançou a porteira de entrada das trilhas. Era a hora dos “zequinhas” (nome dado, no jargão dos jipeiros, aos ajudantes) entrarem em ação e realizarem a “difícil” missão. Feito isso, e o sinal estava verde para o início da aventura off road.

Atoleiro

As trilhas do Brurac, conforme os jipeiros ressaltam, mudam praticamente todas as semanas devido às condições climáticas e às influências da própria natureza. Somente isso já bastaria para garantir altas doses de emoções ao evento. Entretanto, um ingrediente adicional forneceu um tempero especial ao passeio: uma chuva intermitente e fina.

Sua presença garantiu a existência de vários trechos alogados e, principalmente, dos aguardados atoleiros. Trilha adentro, não demorou muito para os jipeiros depararem-se com o “temível” obstáculo. Os que chegaram com certa antecedência em relação aos demais jipeiros aproveitaram a vantagem para efetuar uma espécie de reconhecimento do percurso.

O bauruense Afonso foi um dos encarregados nesta tarefa, que cumpriu com extrema facilidade graças ao seu “Sonho Dourado”, um jipão equipado com um respeitável e potente motor V8. “Apesar de ser um local conhecido, sempre é bom dar uma conferida em suas condições”, explica ele.

Na seqüência, uma fila indiana de jipes amontoava-se ansiosa para encarar o desafio de superá-lo. Entretanto, à medida que alguns o ultrapassavam, as dificuldades aumentavam, pois aquilo que era um calmo lago transformou-se em um lamaçal. Mesmo, os mais experientes conseguiam passar com facilidade. Entretanto, não faltaram jipes encalhados.

Nessa hora, outra marca registrada dos jipeiros, o companheirismo, era rapidamente posto em prática. Alguns jipes de “resgate”, geralmente os mais bem equipados e possantes, salvavam os atolados. Estes, na chegada em terra firme, eram saudados aos gritos de “braço duro” e “rolha”, gírias normalmente utilizadas para brincar com os que não conseguiam atravessá-lo.

Mas engana-se quem pensa que estes se zangavam com as zombarias dos colegas. Todos encaravam com bom humor, até mesmo quando seus jipes pareciam verdadeiros “aquários”. É o caso do engenheiro Marcão, o primeiro a ficar atolado com seu jipe Samurai. â€œÉ um lugar muito fundo que dá para passar, mas como fazia tempo que ninguém passava por ali acabou ficando ainda mais profundo. Não tive escapatória”, justifica ele, rindo.

As mulheres, em número bem menor que os homens, também desceram do salto alto e mostraram que são boas de braço. As que se aventuram a encarar o alagado passaram sem problemas pelo obstáculo aquático.

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