Ele começou na manhã do último sábado, em uma enorme carreata pela avenida Nações Unidas, em Bauru, e terminou quase à noite, em pleno contato com a natureza, após muita emoção e lama. Assim pode ser resumida a quinta edição do Passeio Brurac de Jipe de Bauru, também conhecido como Bauru Off Road.
Centenas de jipeiros da cidade e de vários municípios da região, como Dois Córregos, Botucatu, Lençóis Paulista, Avaré e Chavantes, participaram do evento, organizado ineditamente pela ala feminina do Clube do Jeep bauruense.
No estacionamento do Bauru Shopping Center, local escolhido como ponto de partida, a ansiedade e o clima de descontração eram visíveis naqueles que seriam os protagonistas do verdadeiro espetáculo fora de estrada. Tanto que, encerradas as inscrições, um comboio de jipes formou-se rapidamente com destino certo: as trilhas do Brurac, distantes cerca de 15 quilômetros da zona urbana.
Já durante a estrada de acesso às mesmas, um cenário desolador e que não combina com a mentalidade de respeito ao meio ambiente pregada pelos jipeiros: lixo, de todos os tipos, espalhado por quase todo o caminho. “Tanto os que, como nós, utilizam as trilhas para lazer quanto os que dependem dela de alguma forma têm de se conscientizar que a natureza existe para ser preservadaâ€, adverte o jipeiro bauruense Antônio Carlos Telles Nunes.
Mesmo assim, logo a “jipeata†alcançou a porteira de entrada das trilhas. Era a hora dos “zequinhas†(nome dado, no jargão dos jipeiros, aos ajudantes) entrarem em ação e realizarem a “difícil†missão. Feito isso, e o sinal estava verde para o início da aventura off road.
Atoleiro
As trilhas do Brurac, conforme os jipeiros ressaltam, mudam praticamente todas as semanas devido às condições climáticas e às influências da própria natureza. Somente isso já bastaria para garantir altas doses de emoções ao evento. Entretanto, um ingrediente adicional forneceu um tempero especial ao passeio: uma chuva intermitente e fina.
Sua presença garantiu a existência de vários trechos alogados e, principalmente, dos aguardados atoleiros. Trilha adentro, não demorou muito para os jipeiros depararem-se com o “temível†obstáculo. Os que chegaram com certa antecedência em relação aos demais jipeiros aproveitaram a vantagem para efetuar uma espécie de reconhecimento do percurso.
O bauruense Afonso foi um dos encarregados nesta tarefa, que cumpriu com extrema facilidade graças ao seu “Sonho Douradoâ€, um jipão equipado com um respeitável e potente motor V8. “Apesar de ser um local conhecido, sempre é bom dar uma conferida em suas condiçõesâ€, explica ele.
Na seqüência, uma fila indiana de jipes amontoava-se ansiosa para encarar o desafio de superá-lo. Entretanto, à medida que alguns o ultrapassavam, as dificuldades aumentavam, pois aquilo que era um calmo lago transformou-se em um lamaçal. Mesmo, os mais experientes conseguiam passar com facilidade. Entretanto, não faltaram jipes encalhados.
Nessa hora, outra marca registrada dos jipeiros, o companheirismo, era rapidamente posto em prática. Alguns jipes de “resgateâ€, geralmente os mais bem equipados e possantes, salvavam os atolados. Estes, na chegada em terra firme, eram saudados aos gritos de “braço duro†e “rolhaâ€, gírias normalmente utilizadas para brincar com os que não conseguiam atravessá-lo.
Mas engana-se quem pensa que estes se zangavam com as zombarias dos colegas. Todos encaravam com bom humor, até mesmo quando seus jipes pareciam verdadeiros “aquáriosâ€. É o caso do engenheiro Marcão, o primeiro a ficar atolado com seu jipe Samurai. â€œÉ um lugar muito fundo que dá para passar, mas como fazia tempo que ninguém passava por ali acabou ficando ainda mais profundo. Não tive escapatóriaâ€, justifica ele, rindo.
As mulheres, em número bem menor que os homens, também desceram do salto alto e mostraram que são boas de braço. As que se aventuram a encarar o alagado passaram sem problemas pelo obstáculo aquático.