Política

Supressão de feriado em lei do comércio gera polêmica

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A supressão da palavra feriado na lei que regulamenta o horário de funcionamento do comércio está gerando polêmica entre o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) e o Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru.

A proposta, de autoria do vereador Milton Dota Jr. (PTB), visa proibir a abertura dos estabelecimentos comerciais nos feriados, o que já não é permitido por legislação federal.

Para o sindicato dos trabalhadores, a perspectiva de geração de empregos apresentada pelos empresários para argumentar o funcionamento das empresas aos domingos e feriados não ocorreu. A entidade acusa o aumento das horas extras, não compensadas ou remuneradas.

A alteração, porém, poderá provocar o fechamento de micros e pequenas empresas que operam com o trabalho dos proprietários e de seus familiares.

O alerta é do presidente do Sincomércio, Walace Sampaio. Para ele, não vale a pena alterar uma legislação avançada. “Ela foi fruto de um processo de anos e anos de amdurecimento. Não vejo a menor necessidade”, opina.

O presidente do sindicato lamenta que o parlamentar autor da proposta tenha ouvido apenas um lado. “Acredito que se o vereador também tivesse ouvido o lado do comércio, ele sequer teria apresentado o projeto”, afirma.

Sampaio explica que a fundamentação do projeto é feita com base nos direitos dos trabalhadores. “Estão fazendo, propositalmente ou não, novamente uma confusão de abertura de comércio com direito trabalhista”, analisa.

Na avaliação dele, esse foi um engano que manteve Bauru atrasada na legislação por muitos anos.

“O decreto-lei 605 regula o trabalho e não a abertura de empresas. O decreto criou 75 atividades, aonde é permitido o funcionamento em domingos e feriados, várias delas no varejo”, diz.

Ele observa que tudo que a lei proíbe, continuará valendo. “E tudo aquilo que a lei permite, vai continuar com permissão, apesar da alteração na lei.”

O representantente do Sincomércio reforça que o fato de constar ou não o feriado na lei não vai alterar em nada a situação porque a competência do assunto é federal.

“Esse projeto não vai mexer em nada na vida do comerciário de Bauru porque todos que abrem com a autorização da lei 605 vão continuar abrindo, apesar da alteração na lei, devido à legislação superior”, diz.

Para Sampaio, o projeto vai penalizar as micro e pequenas empresas que hoje abrem sem empregados.

“A partir dessa alteração, elas estarão proibidas de funcionar. O vereador vai colocar na ilegalidade milhares de micros e pequenas empresas familiares de Bauru, principalmente da periferia, que abrem nos feriados”, avisa, completando que o projeto não beneficia os trabalhadores.

“Vamos levar à Câmara Municipal esse nosso posicionamento e as explicações necessárias. Acreditamos que o bom-senso vai prevalecer”, diz.

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