Saúde

Desinfecção vai além da limpeza

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Uma cozinha limpa e brilhante não significa ausência de germes. De acordo com o biomédico Roberto Martins Figueiredo, mais que lavar e limpar, é preciso desinfetar o ambiente e seus utensílios regularmente. Sabão e detergente precisam do complemento químico com cloro, água sanitária ou outros produtos sanitizantes.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade do Arizona coletou amostras de superfícies (passando cotonetes em vários pontos) provenientes da cozinha e de banheiros de diversas casas e descobriram que a contaminação fecal é infinitamente maior na cozinha.

Neste sentido, o especialista recomenda atenção especial com esponjas, panos, drenos (ralos), tábuas de corte e pias. A primeira orientação é que a louça seja lavada imediatamente após as refeições. Louça de “molho” favorece a multiplicação de micróbios, porque une restos de comida e água - condições maravilhosas para a sobrevivência dos germes.

Os utensílios lavados devem secar ao ar ou ser enxugados com panos que tenham sido lavados em solução sanitizante (água sanitária, cloro ou vinagre). Esses panos devem ser trocados diariamente e não devem ser usados para secar as mãos.

As esponjas também devem ser trocadas regularmente, pelo menos uma vez por semana ou quando começarem a apresentar deformidades, segundo Figueiredo. “Elas são o melhor ambiente para bactérias dentro de uma cozinha, porque têm uma superfície fácil para elas se ‘agarrarem’, geralmente contêm restos de comida e estão molhadas”, observa.

Pesquisadores norte-americanos distribuíram 50 esponjas para uso em residências por 21 dias consecutivos. Ao final deste período, era enorme a concentração de bactérias nos pratos lavados com aquelas esponjas.

Por isso, Figueiredo afirma que estes utensílios precisam permanecer limpos e secos quando não estão em uso. Ele explica que é preciso lavar as esponjas com sabão ou detergente, enxaguar bem e, pelo menos uma vez por dia, mergulhá-las por cinco minutos numa solução de água com água sanitária. Depois, torcer e colocar para secar. Ele salienta que elas nunca devem ser guardadas sujas, úmidas ou sobre o sabão.

A pia também deve permanecer limpa e seca o máximo de tempo possível, porque as bactérias não sobrevivem mais que duas horas em ambientes secos em que não haja comida, segundo o biomédico.

“O problema é que, muitas vezes, a superfície está limpa, mas o ralo e o dreno guardam restos de comida. Por isso, ao final da limpeza, é importante preparar uma solução com um litro de água e duas colheres de água sanitária e despejar pelo ralo para desinfetar a tubulação”, afirma.

Placas de corte

Outro item que merece atenção, segundo Figueiredo, são as tábuas ou placas de corte. Segundo ele, as mais indicadas são as de plástico ou vidro, cuja higienização é mais fácil. O biomédico salienta que a madeira é um material absorvente, que pode reter umidade, resíduos de alimentos e bactérias em seu interior.

Porém, as placas de plástico não estão isentas de contaminação. Conforme são usadas, vão ganhando “cicatrizes”, onde também pode haver acúmulo de alimentos e bactérias. Neste caso, é alto o risco de uma contaminação cruzada (de um alimento para outro).

“Por isso, se você cortou carne crua, lave muito bem esta placa antes de usá-la para cortar verduras de uma salada crua”, comenta. Esta higienização deve ser feita, de preferência, com água, sabão e uma escova, que vai facilitar a remoção dos resíduos. Em seguida, deve-se mergulhar o utensílio em solução sanitizante.

Por fim, Figueiredo chama atenção para os riscos de contaminação que oferecem as lixeiras de pia. â€œÉ inconcebível manter uma lixeira ao lado dos alimentos que estão sendo preparados. O lugar do lixo é no chão, com tampa acionada por pedal”, completa.

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