Salvador - Através de um lacônico comunicado, a norte-americana Venus Williams, número dois do mundo, anunciou ontem sua desistência de competir no Brasil Open. “Sinto que, após uma longa temporada em quadras sintéticas, o melhor para mim é descansarâ€, divulgou a vice-campeã do US Open, que tinha contrato assinado com a Octagon Koch Tavares.
Chela se contunde e também está fora
A organização do Brasil Open, em comunicado divulgado ontem, informou que o tenista argentino Juan Ignacio Chela, jogador de mais alto ranking inscrito no Brasil Open, não poderá disputar o ATP da Costa do Sauípe devido a uma contusão nas costas.
O jogador optou por se explicar pessoalmente numa entrevista à imprensa. “Depois que voltei do US Open, fui treinar em Buenos Aires e senti uma contusão nas costasâ€, contou o argentino, número 24 do atual ranking.
Com a saída do argentino, o nono jogador de melhor ranking de inscrição sobe para a condição de cabeça-de-chave. O privilégio coube a Fernando Meligeni. Como cabeça 9, ele vai ocupar o topo da chave e irá estrear agora contra o norte-americano Alex Kim. Anteriormente, seu adversário era André Sá.
A vaga deixada por Chela será ocupada por um “lucky-loserâ€, ou seja, o tenista de melhor ranking que for derrotado na última rodada do qualificatório, que será disputada hoje.
Primeira rodada
A chave principal do Brasil Open começa a ser disputada hoje a partir das 11h no complexo montado em Costa do Sauípe, Litoral norte da Bahia. O paulista Flávio Saretta e o argentino Guillermo Coria, que rivalizaram no circuito juvenil e representam a nova geração do circuito profissional, abrem a rodada, com transmissão ao vivo pelo Sportv e TV Bandeirantes.
Além de Saretta, outros quatro brasileiros estarão em quadra. Ricardo Mello enfrenta, às 15h, o norte-americano Brian Vahaly e Alexandre Simoni e o argentino Agustín Calleri encerram a rodada por volta das 19h30.
No feminino, Carla Tiene joga contra a croata Iva Majoli por volta das 12h30, enquanto Maria Fernanda Alves encara a espanhola Cristina Torrens-Valero por volta das 14h.
Segundo a empresa, promotora do evento, a Associação das Tenistas Prfissionais (WTA) garantiu que Venus será multada em pelo menos dois artigos previstos no regulamento. “Entendemos o cansaço de Williams, mas havia um contrato e isso tem de ser respeitado. A multa será anunciada nesta segunda-feiraâ€, informou Julia Orlandi, supervisora da WTA no Sauípe.
Segundo ela, a situação de Venus é diferente da russa Anna Kournikova, que efetivamente estava contundida no ano passado quando desistiu de ir à Bahia e por isso não foi punida pela organização.
Com a saída de Venus, a iugoslava Jelena Dokic, vice do ano passado, passou a ser a principal cabeça-de-chave, cabendo à norte-americana Monica Seles, atual campeã, a condição de cabeça 2. As duas estrearão nas oitavas-de-final, juntamente com as cabeças 3 e 4, respectivamente Anastasia Myskina e Patty Schnyder.
O sorteio da chave principal feminina, realizado ontem, indicou duras adversárias para as brasileiras. Carla Tiene, número 275 do mundo, pegará a croata Iva Majoli, número 22 e campeã de Roland Garros em 97, enquanto Maria Fernanda Alves, 300 do ranking, pega a espanhola Cristina Torrens-Valero, 87ª do mundo.
Apesar da desistência de Venus Williams, o torneio feminino do Brasil Open será de alto nível. No ano passado, das oito cabeças-de-chave da competição, seis haviam desfrutado do mesmo status no Aberto dos EUA.
Neste ano, as oito favoritas na Bahia estiveram entre as 32 pré-classificadas no torneio norte-americano. Seis das 28 tenistas estavam entre as 25 melhores do mundo no ranking de inscrição, e 17 entre as top 50. A estrela do ano passado foi a norte-americana Monica Seles, na época a oitava do mundo, agora é a quinta.
Hegemonia
A hegemonia das irmãs Serena e Venus Williams, legítimas representantes do “momento força†por que passa o tênis feminino mundial, vai continuar por mais algum tempo. Essa pelo menos é a opinião das tenistas nacionais que estão na Bahia para a disputa do Brasil Open.
Venus (a mais velha) e Serena (a caçula) fizeram em 2002 as finais dos torneios de Roland Garros (França), Wimbledon (Inglaterra) e US Open (Estados Unidos). Serena ganhou os três.
Para Carla Tiene, tenista número 1 do Brasil, algumas regras no tênis poderiam ser mudadas para provocar um maior equilíbrio. “Se não mudarem algumas coisas nas regras, a habilidade não vai vencer a forçaâ€, disse.
Para Maria Fernanda Alves, a tenista número 2 do País, a hegemonia das norte-americanas dura mais algum tempo, mas ela confia no fato de que uma nova geração, mais voltada para um tênis técnico, surja. “A Vênus e a Serena têm boa técnica. Jogam bem. Mas marcam pela força. É como jogar contra homensâ€, diz Nanda, que ainda não enfrentou nenhum das irmãs.