Regional

Iacanga testa nova técnica na Apae

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Iacanga - Uma nova técnica de alfabetização, conhecida como Método de Bergson, está sendo aplicada com grande sucesso nas escolas municipais de Iacanga. No entanto, são os alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) que apresentam os melhores resultados. Quinze dias foram o suficiente para que os professores percebessem uma facilidade maior de aprendizagem entre os alunos excepcionais.

Ao contrário dos métodos tradicionais, o Método de Bergson prioriza a expressão corporal como instrumento de ensino e não apenas o lápis e o papel, como é feito pelas técnicas tradicionais.

O novo método está sendo aplicado a um grupo de 12 alunos da Apae desde junho último. Antes disso, os professores passaram por um período de treinamento, ministrado pelo próprio criador do método, o pesquisador e psicólogo Nelson Bergonso (apesar da semelhança, o nome do método não é o mesmo de seu criador).

Além dos alunos da Apae, o método está sendo aplicado também aos alunos da 1ª série do ensino fundamental, da rede municipal de ensino.

Para desenvolver a nova técnica, o pesquisador partiu do pressuposto de que é preciso explorar com mais intensidade a expressão corporal das crianças, antes de exigir delas um esforço puramente cerebral no processo de alfabetização.

De acordo com a teoria de Bergonso, a memória orgânica, emocional e motora são as primeiras a serem desenvolvidas pela criança. Isso, segundo o pesquisador, acontece durante a vida intra-uterina (gestação).

A memória cerebral seria a última a ganhar autonomia, de acordo com a tese defendida por Bergonso. Em razão disso, a criança não estaria pronta para receber informações ligadas a figuras geométricas por meio do lápis e papel, como é feito hoje nas escolas.

“Para que possamos estimular a memória cerebral da criança, de maneira natural e adequada, é necessário que isso ocorra partindo de seu corpo”, teoriza Bergonso.

“Isto é, se estimularmos as memórias orgânica, emocional e motora, nós estaremos dando condições para que a memória cerebral ou cognitiva registre com mais facilidade as informações recebidas”, observou o pesquisador.

Na opinião dele, a partir do momento que a alfabetização deixa de obedecer essa “ordem natural”, a criança passa a sofrer com a instabilidade emocional gerada pela confusão formada em seu cérebro. Isso, segundo Bergonso, dificulta a aprendizagem da escrita e da leitura.

“Traumas produzidos por essa experiência podem gerar inseguranças e dificuldades pelo resto de nossas vidas”, salienta.

Então, partindo da idéia de que a alfabetização apresentaria melhores resultados com o auxílio da expressão corporal, os alunos da Apae de Iacanga passaram a ter aulas baseadas no Método de Bergson.

Enquanto a professora faz gestos, eles escrevem. Cada movimento é uma palavra. E assim é feito até que os alunos montem uma palavra. Em seguida, eles lêem em voz alta o que foi escrito.

“A partir do momento que começamos a trabalhar com esse novo método, houve uma melhora muito grande na aprendizagem dos alunos”, afirma a professora Liliane de Oliveira Barbosa.

Segundo ela, a diferença não foi sentida apenas na escrita. Além de despertar a atenção dos alunos, o que não é uma tarefa fácil em qualquer sala de aula formada por crianças, o método teria ajudado também a despertar o interesse dos alunos pela

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