Cultura

O nosso Grammy

Por Gustavo Cândido | Com Bruno Yutak da Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Criado em 2000 e impulsionado pelo sucesso de artistas como Ricky Martin nos EUA, o Grammy Latino, uma “filial” do prêmio americano destinada a reconhecer a produção musical da América Latina, chega hoje à sua terceira edição com vários artistas brasileiros indicados e - por isso - transmissão ao vivo pelo SBT.

A cerimônia será realizada no Kodak Theatre, em Hollywood - onde acontece a entrega do Oscar -, com toda pompa que envolve o nome do prêmio.

Na entrega dos prêmios, é impossível que o Brasil não ganhe, no mínimo, sete prêmios. Seria sinal de que a música feita no país alcançou um status de importância único se não fosse por um detalhe: a cerimônia tem uma categoria, com sete seções, dedicada apenas aos brasileiros.

É o verdadeiro “prêmio do crioulo doido”, com categorias como “Melhor Música Tropical”, “Melhor Música Texana” e “Melhor Tango”, entre outras. No total, o evento distribui 41 troféus. Parece muito, mas ainda é menos do que o seu “original” americano, que dá mais de uma centena de pequenos gramofones dourados (o nome Grammy vem daí) para o vencedores de categorias não menos peculiares como “Melhor Polca”, por exemplo.

Nas categorias gerais, os brasileiros estão bem representados com Ivan Lins (Álbum do ano), com o disco “Jobiniando”; o Quarteto Amazônia (Álbum de música clássica); padre Marcelo (Álbum de música cristã); e até Xuxa (Álbum infantil) entre outros em categorias técnicas.

Nos prêmios brasileiros a variedade é maior, bem maior. Tem de tudo um pouco, desde as irmãs Galvão (agora intituladas apenas As Galvão), que concorrem ao Grammy de Melhor Álbum de Música Regional Brasileira, ao estreante grupo de rock CPM 22, indicado para o prêmio de Melhor Álbum de Rock.

Também estão entre os concorrentes pesos-pesados como Chico Buarque e Edu Lobo (com o disco “Cambaio”, para Melhor Álbum de MPB), Dori Caymmi (que concorre a Melhor Canção e Melhor Álbum de MPB) e Gilberto Gil (Melhor Álbum de Música Regional Brasileira). Até a falecida Cássia Eller pode levar um prêmio (seria merecido) por seu último disco.

No final das contas, nesta edição quem teve mais indicações foram o colombiano Carlos Vives (sete) e a lendária intérprete cubana Celia Cruz (cinco). Os dois devem sair premiados do Kodak Theatre.

Televisão

A transmissão do SBT, a partir das 22h, trará a jornalista Marília Gabriela e o músico e presidente da gravadora Trama, João Marcello Bôscoli, atuando como comentaristas. “Podemos continuar com a esperança de termos um Grammy exclusivamente brasileiro. O desejo deles de aumentar o número de categorias reflete a vontade do comitê do Grammy de retratar melhor todo o panorama da música brasileira nos próximos anos”, diz Bôscoli.

Neste panorama brasileiro, entram fatores como a predominância de artistas das gravadoras Universal (13 indicações), Caravelas e Trama (quatro cada uma).

Devem se apresentar na cerimônia de hoje um grande número de artistas indicados ao prêmio, entre eles, Celia Cruz, Carlos Santana e o grupo P.O.D., os brasileiros Ivan Lins e Bossacucanova com Roberto Menescal, Marc Anthony, Shakira, Juanes com Nelly Furtado e Thalia.

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