Tribuna do Leitor

A coerência da diferença


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Nos últimos tempos entrou na pauta da discussão política se o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, teria mudado seu anterior discurso tido por radical para um modelo mais suave, mais light, situação essa que, inclusive, está lhe rendendo ferrenhas críticas de antigos aliados, a saber: PSTU, MST, PCO etc., sob o pálio de que não mais teria ele a coerência de outrora.

Entretanto, aqui é preciso que se faça uma importante reflexão. Será mesmo que podemos chamar de incoerente alguém que passou a vida pública inteira nas fileiras de um único partido, e mais, será mesmo que podemos chamar alguém de incoerente por ter, ao longo dos anos, se apercebido que para o atingimento das mudanças almejadas e sonhadas pela população é preciso o diálogo e não a exclusão?

Ora, incoerentes são aqueles que a todo o momento e por interesses particulares dos mais variados migram de legenda em legenda tentando buscar um lugar ao sol (de preferência que seja perto dos cofres públicos); incoerentes são aqueles que defendem soluções fantasiosas e impossíveis de serem colocadas em prática (salário mínimo de R$ 1.500,00, calote puro e simples no FMI e por aí vai); incoerentes são aqueles que impregnados de radicalismo não enxergam a possibilidade de diálogo, mas, pura e simplesmente a imposição (ditatorial) de suas vontades, como se isso fosse bom para o País.

Não é na truculência e em ideologias de há muito suplantadas pela manifesta ineficiência que conseguiremos mudar o Brasil, pois, infelizmente, os problemas existentes requerem soluções mais intrincadas, haja vista que por mais danoso que o FMI seja para o País é impossível expulsá-lo de uma hora para outra, como também, é impossível, numa tacada só, barrar a malfadada e sórdida Alca (eles têm a maioria no Congresso). Para que tudo isso um dia chegue é necessário e imprescindível, repito, estar aberto ao diálogo (não ao entreguismo), diálogo este consciente e não condescendente, pois, do contrário, não chegaremos a lugar algum.

Nesse passo, não me parece correto tachar Lula como sendo alguém de “centro” que teria abandonado o discurso de esquerda, mais correto será afirmar que o presidenciável continua sendo de esquerda, mas sem o desnecessário e enfadonho radicalismo que quase sempre transborda em abominável absolutismo (seja de direita, centro ou de esquerda), pois, o compromisso maior do candidato não é com as ideologias marxista, bolchevista etc., mas sim, com a população, que, nesta primeira etapa, não está preocupada em saber quem foi Lênin, apenas em ter um pouco para comer... (Claudio José Amaral Bahia - OAB/SP 147.106)

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