Na opinião dos profissionais ouvidos pela reportagem, a psiconeuroendocrinoimunologia permite resgatar e comprovar diversos conceitos da sabedoria popular. Antes das teorias e metodologias científicas, os sábios já defendiam a importância do bem-estar para a saúde, como alertavam para diversas outras coisas que hoje estão provadas.
Um exemplo simples é a recomendação da vovó de que tomar um copo de leite morno antes de dormir ajuda a combater a insônia. Estudos recentes identificaram uma substância no produto que realmente tem efeito calmante.
“A impressão que eu tenho é que, em tempos antigos, as pessoas se importavam mais com sua ligação com o cosmos, com o universo e isso permitia que eles lidassem melhor com essas questões do que nós fazemos hoje. Estamos redescobrindo coisas que eles já tinham identificado de alguma forma, intuitivamenteâ€, comenta o médico infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa.
Ele ressalta que a ciência travou uma batalha entre o racionalismo e o empirismo no passado. Os estudiosos não se contentavam em observar e experimentar - eles precisavam de provas e explicações. â€œÉ como se olhassem para uma parede cor-de-rosa e se recusassem a dizer que era cor-de-rosa só porque eles não tinham essa tonalidade em seu catálogoâ€, exemplifica.
Enquanto isso, o povo era jogado de um lado para o outro, com estudos que ora diziam ser verdade, ora diziam ser mentira e de novo verdade. “A impressão que a gente tem é que essa mesma ciência, com o correr do tempo, tem validado todos os conhecimentos antigosâ€, comenta.
Costa lamenta, porém, que esse resgate ocorra tão lentamente. Ele lembra que boa parte desse conhecimento milenar já foi perdida entre várias gerações. “Mesmo os índios, que conhecem como ninguém o poder das ervas, só agora os estudiosos estão buscando e catalogando esse conhecimento. Mas quantas tribos já foram extintas? Quando já não se perdeu?â€, questiona.