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Pai comunicador


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Teria de acontecer que, no decurso de sua inestancável história, os meios de comunicação social viessem a ter um “pai” plenamente incluso no seu âmago. E isso veio a acontecer exatamente neste quartel da humanidade, quando as opiniões de um sacerdote de gabarito invulgar necessitariam de serem irradiadas, em plenitude, nos rumos de todos os quadrantes.

Felizmente, temo-lo aí na figura de João Paulo II, que, desde a juventude, bem antes de iniciar sua jornada eclesiástica, já se revelava um comunicador emérito. Polonês nato e, inicialmente, operário industrial, produto de família humilde, o jovenzinho Karol Wojtyla dedicava os momentos livres de sua profissão a estudos intelectuais bem empenhados. Recorria, assim, aos impulsos aprofundados de sua sabedoria juvenil para atingir as amplitudes da cultura humana. Conseqüentemente, ainda na juventude tornava-se escritor, poeta e dramaturgo, entusiasmando aos amigos em cuja roda convivia. Mas, não ficaria nisso apenas.

Ingressando em seminário em 1942, após a morte de seu genitor, e passando a se dedicar aos estudos teológicos, tornar-se-ia sucessivamente padre (1946), bispo (1958), arcebispo (1964) e, um dia, surpreendia o mundo com sua eleição a Papa (João Paulo II) em outubro de 1978, função na qual transportaria progressivamente para a Igreja romana os esquemas da Igreja polonesa, por entender que não deveria governá-la como um bloco monolítico e, sim, dentro de um contexto de colégio episcopal. E, despertando-se também para até onde sua propensão poderia chegar, vislumbrou algo diferente na expectativa reinante em torno de suas determinações.

Aos céticos dizia, então, resolutamente: “Assim seja porque nem Jesus agradou a todo mundo”, convencido de que fora elevado à função máxima da Igreja como uma resposta aos anseios de paz, de liberdade e de engajamento do povo, de sorte a reforçar a batalha que todos precisam adotar no caminho da justiça para obtenção de uma vivência mais fraterna entre os homens. E é isso exatamente o que JP tem desenvolvido no sentido da pacificação dos litígios no Oriente Médio e noutras regiões, uma vez que, devotado executor das ordens do Vaticano II, volta-se carinhosamente para os problemas sociais de sua religião e da sociedade, o que faz com total proficiência, inclusive porque, carregando na santa alma o poder da transmissão verbal.

Inclusive, lingüista consumado, não só com o latim e o italiano, mas também com o inglês, francês, alemão, russo, espanhol e português, sempre foi considerado o mestre da comunicação, diga-se jornalista emérito, face ao que enobrece sobremaneira a classe a que pertencemos, que ele mesmo considera, conforme destacou num encontro com representantes da imprensa internacional, “uma categoria a serviço do progresso de todo o gênero humano e da evolução integral do homem e da mulher do universo inteiro”. Nestes mais de dois mil anos, desde Pedro a João Paulo II, teve a Igreja 264 papas. Perguntamos, finalmente: quantos foram iguais a este? (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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