Tribuna do Leitor

O "apocalipse" eleitoral


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Misturar política e religião não tem “nada a ver”, também é perigoso e no caso brasileiro o problema duplica em gravidade devido especialmente ao nosso nível de sub-cultura e o nível de comportamento anti-ético e imoral da classe política brasileira. Estas palavras sem importância são minhas.

Agora, “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, e também, “o bom semeador deve separar o joio do trigo”. Estas importantes palavras certamente não são minhas. Mas Deus, ser ideal absoluto, infinito, essência e fim das coisas, Deus-Universo enfim, não tem nada a ver com o Deus-Nação ou o Deus-Estado e o nível de politiquice e estultícia que existe entre nós.

Filosofia, ciência, arte e também política são sistemas de abstrações e de conceitos que nada dizem, nada realizam e que só comprovam as idéias limitadíssimas do saber humano que, pela inconsciência e segundo a fluidez maléfica de nossa mentalidade, leva-nos a impulsos de vaidade, orgulho, egoísmo e aflição de espírito. O que Deus tem a ver com a nossa misérrima realidade e o mau uso de nosso livre-arbítrio?

Deus definitivamente não é político. E segundo São João, “Deus é espírito e espírito em Verdade”. Na vida espiritual o homem comunica a sua relação divina pelo nexo da fé e na vida material? Na vida material a realidade da vida humana depende da consciência individual de cada um e das relações do homem com o meio em que ele vive. São atos e fatos reais e concretos. O Islamismo e o Judaísmo são o exemplo prático do fanatismo político-religioso existente no mundo e do radicalismo destruidor que de forma irracional pode levar a humanidade a sua auto-destruição. Portanto, estas “blasfêmias” que a gente ouve tipo: "vamos colocar São Paulo, Brasil ou mesmo Bauru nas mãos de Deus", e outros pecados capitais só servem para distrair e iludir ainda mais o já desmotivado e desiludido eleitor brasileiro. Também tenho minhas dúvidas se Deus com sua infinita sabedoria iria querer algo desse tipo. Aliás, tem certas coisas na política que nem o Diabo em sã inconsciência iria querer.

O Brasil é, ainda, e apesar da ação nefasta de alguns governos, uma reserva de riquezas (inclusive moral) com um povo honesto e trabalhador. Somos um país juridicamente organizado, com uma Constituição e leis, instituições políticas, sociais, religiosas e outras com título de legitimidade, basta apenas que cada um faça responsavelmente seu papel e que haja respeito entre as partes. Em torno deste objetivo moral e político os eleitores brasileiros devem formar juízo e fazer o julgamento político dos candidatos que vão representar-nos nas diversas esferas públicas.

Portanto, esqueçam o céu e o inferno, Deus ou o Diabo, porque o problema é mais embaixo e a solução destes se dará nas urnas através da livre escolha e da consciência cívica de cada um. E se existe o mau político é porque existe o mau eleitor mas, o bom eleitor certamente elegerá um bom político. (Aurélio da Silva Braga - RG: 12.912.493)

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