Tribuna do Leitor

Sou a favor da Alca


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Peço a atenção do prezado leitor para explicar a minha posição favorável para que o Brasil venha a fazer parte da Área de Livre Comércio das Américas - Alca.

Primeiro - Foi feito um plebiscito para saber a opinião da população sobre a Alca. Porém, o que se tem visto e ouvido são apenas coisas desfavoráveis à mesma e conseqüentemente uma ostensiva campanha pelo não à ALCA, misturando soberania nacional, Amazônia, Base de Alcântara, desemprego, miséria; como se a não adesão do Brasil, por si só, assegurasse o patrimônio nacional e resolvesse os problemas que nos afligem. Uma verdadeira lavagem cerebral coordenada por sindicatos e alguns partidecos de esquerda, cujos membros são funcionários públicos ou de estatais que, com um discurso no mínimo cinqüenta anos atrasado, tentam jogar empregado contra patrão e satanizar os Estados Unidos. Esse pessoal não tem nenhuma preocupação com a classe trabalhadora, pois tem seus empregos garantidos por serem sindicalistas ou funcionários públicos e com eles nada de ruim ocorrerá. Porém, com os pobres coitados do lado de cá...

Segundo - “Digas com quem andas, que te direi quem és.” O ditado popular aplica-se perfeitamente ao caso. O Brasil, iludido com o “potencial” de três republiquetas de banana, constituiu o Mercosul, e o que vimos foi que os nossos sócios só tinham fachada e seus balanços (leia-se economias), estavam mais furados que os da Enron ou da WorldCom. Resultado: quando apareceu o rombo, sobrou para nós, com o risco-Brasil subindo de 600 para mais de 2.000 pontos, espantando investimentos, aumentando taxas de juros, causando desvalorização cambial, gerando desemprego... Agora, quando a maior potência comercial do mundo e da História nos convida para sermos parceiros, vem esse pessoal jogar areia no nosso sorvete.

Terceiro - O mundo já é uma imensa aldeia global. Há 63 anos explodia na Europa a II Guerra Mundial, envolvendo nações milenares, com tantas diferenças entre si, que seira impossível imaginar que um dia poderiam constituir um único bloco, com inclusive uma única moeda. E o que é a Europa hoje? Com certeza, para chegarem ao que são hoje, muitas diferenças foram resolvidas, todos perderam alguma coisa, mas ganharam outras. E a União Européia está aí para mostrar que é possível unir países em diferentes estágios num único bloco e todos ganharem com isso. E o negócio é tão bom que cerca de duas dezenas de países do leste europeu aguardam uma chance de integrarem o mesmo.

Quarto - Emprego e exportação. Para resolver os problemas do povo é necessário emprego. Hoje o Brasil tem mão de obra disponível e não tem como produzir, pois suas exportações são pífias. Ora, quando o maior mercado consumidor do mundo - os Estados Unidos, responsável pelo consumo de 25% de tudo que se produz no mundo -, nos convida para sermos parceiros, vem esse pessoal retrógrado incentivar a virar-lhes as costas. Tenham paciência, isso é não querer garantir o bem-estar de seus filhos e netos.

Quinto - A Igreja Católica. Sou católico, e algumas vezes nesta mesma coluna defendi a Igreja de agressões; porém, desta vez entendo que a Igreja está interferindo num assunto que foge de sua alçada quando assume um discurso contra a ALCA, assim como também fugiria se fosse a favor.

Sexto - “Se não podes com o adversário, una-se a ele.” Comércio é negociação. A maior economia do mundo está nos convidando para sermos seus parceiros. No comércio ninguém é bonzinho e é lógico que existem os interesses americanos, porém, existem também os interesses brasileiros. Vamos negociar, colocar na mesa os dois interesses, vamos chegar a um acordo, fechar esse negócio. Depois de estarmos no negócio, vamos renegociando nas áreas que estivermos em desvantagem. Nenhum parceiro comercial quer a ruína do outro. No comércio a negociação é o caminho para tudo, assim como na democracia e na diplomacia. (Antonio Vitorino Ferreira - RG: 9.817.501)

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