Turismo

Eu Estive lá: Gonçalves

Sílvio Serrano
| Tempo de leitura: 5 min

Você já ouviu falar de Gonçalves? Se a resposta foi não, fique tranqüilo. Até pouco tempo eu também nunca tinha ouvido falar desse lugar.

E foi assim, literalmente no escuro (às quatro da manhã), que eu, Toninho, Helenice e Bruno, todos integrantes da Giramundo - Associação de Mergulho e Esportes de Aventura, e um amigo colombiano do Toninho, o John, chegamos nesse belo e escondido pedaço da Serra da Mantiqueira, entre Campos do Jordão e Monte Verde, já em Minas Gerais.

Ao contrário desses dois centros de badalação, Gonçalves é puro sossego, rodeada de lindas montanhas cobertas de araucárias e deliciosas (e geladas) cachoeiras.

Verdes matas, céu azul

Pudemos comprovar isso ao abrir a janela de nosso chalé, no dia seguinte, com dia claro.

As montanhas verdes, o barulho de água correndo, aquele friozinho característico da serra e o belo canto das seriemas de trilha sonora. Enfim, perfeito!

A pousada do Campestre, onde ficamos, propriedade do Pedro, Neide, Zé Marcos e Terezinha é, um daqueles lugares que vêm à sua mente quando idealiza o cantinho ideal para curtir férias nas montanhas.

O projeto arquitetônico muito bem estruturado lembra as casas coloniais de antigamente, com tudo de direito: fogão à lenha, lareira e as comodidades modernas tão essenciais, como um chuveiro bem quente, camas confortáveis, cobertores e edredons.

A comida, um capítulo à parte, é de primeira - café da manhã mineiro com pãezinhos quentes, queijo fresco, bolo de milho, canjica. Tudo delicioso.

Forrado o estômago, pusemos o pé na estrada , acompanhados de Pedro, um dos donos da pousada e nosso guia por aquelas paragens.

Caminhando entre araucárias

Iniciamos nossa caminhada pelos bosques da araucárias, subindo e descendo morros, contemplando aquele visual maravilhoso.

A caminhada não é fácil, pois as montanhas são bem íngremes. O que estimula realmente é a beleza do lugar e o clima agradável. O cansaço acaba sendo somente um pequeno detalhe.

Várias sãos as atrações em Gonçalves. Desde o ribeirão campestre que margeia a cidade, onde nos meses de chuva se pratica o bóia-cross, rapel e canyoning .

A bela cachoeira do Forno, com seus 23 metros de queda, é um convite para o mergulho em suas águas geladas.

Outra cachoeira, a do Retiro, fica apenas a dois km do centro da cidade e vale uma visita, pois a caminhada é bem leve e tranqüila.

A pedra do forno é outro belo ponto de contemplação na serra Depois de uma subida bem íngreme chega-se ao cume, de onde pode-se ver toda a região. Bonito demais!!.

Aos pés dessa montanha fica o restaurante do “seu” José Ovídio, comida de primeira feita em fogão a lenha, por um preço pra lá de especial.

Durante as caminhadas, passamos por várias fazendas bem antigas com casas centenárias e muito bem conservadas.

A casa de José da Costa Vemâncio é a mais antiga da região, feita de ripa de taquara e barro. Desde a sua construção, em 1780, é passada de pai para filho. Outra dessas propriedades que vale a pena dar uma paradinha é a fazenda da dona Vilma, um lugar incrível, tipicamente mineiro, com laguinho cheio de trutas, casa, celeiro, riacho correndo ao lado da casa e a hospitalidade, já famosa, do povo de Minas .

Perto dali fica a cachoeira do Simão, outra bela queda d’água convidando quem se dispuser a mergulhar em suas águas trincando de geladas.

Gonçalves é assim, bucólica, com pessoas sentadas na porta das casas; passeando pelas praças cheias de flores; com igrejas pequenas e acolhedoras, velhinhos cheios de “causos” para um dedinho de prosa.

Percorrer a pé suas estradas de terra, contemplar as belas araucárias, olhar as montanhas, molhar os pés nas águas geladas dos riachos que descem das montanhas são prazeres simples, mas que fazem muito bem à alma.

Você que ainda não a conhece, reserve um fim de semana ou alguns dias de suas férias para experimentar as delícias desse lugarzinho escondido e tão bonito da Serra da Mantiqueira. Eu garanto que apesar das dores musculares você vai voltar com um sorriso estampado no rosto.

Como chegar: A partir de São Paulo pela rodovia Ayrton Senna, depois Carvalho Pinto, seguindo para Campos do Jordão. Uns 15 quilômetros antes seguir para Santo Antonio dos Pinhais (Sul de Minas), São Bento do Sapucaí, Sapucaí Mirim e Gonçalves.

Onde ficar : Existem várias opções de hospedagem, mas a Pousada do Campestre (estrada do Campestre-Km 9 ) é realmente especial pela sua localização, arquitetura e a simpatia contagiante de seus donos.

Melhor época: No ano todo há diversão garantida: no verão, cachoeiras pra todos os gostos; no inverno, o aconchego da lareira, o frio, chocolate quente, belas caminhadas e um céu azul pra lá de lindo.

O que levar : Em qualquer época leve agasalho. Lembre-se, você está na serra e noite invariavelmente esfria. Uma boa botina de caminhada é essencial para não voltar com bolhas nos pés .

Dicas finais: Experimente a salada de azedinha, uma verdura local deliciosa, leitão à pururuca, quirerinha de milho com costelinha, queijo , doce de leite. Mande às favas o regime!

Caminhe bastante, converse com os moradores. Eles têm histórias ótimas para contar .

Leve um violão, ou alguém que toque com você. É o melhor programa num lugar desses.

Por fim, evite chegar de madrugada nesse lugar. As estradas de terra são muitas e a sinalização é a base de plaquinhas de madeiras.

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