Dois trotes provocaram o deslocamento desnecessário do Corpo de Bombeiros ontem em Bauru. Eles saíram para atender um incêndio na rua Azarias Leite e não havia fogo algum. Pouco depois tiveram que atender um aviso de bomba em um berçário na zona sul, fato que também não ocorreu.
No mesmo dia dos dois trotes, um carro pegou fogo na rua Rio Branco, mas os bombeiros não chegaram a registrar pedido de ajuda. O próprio motorista contornou o incêndio com o extintor.
As brincadeiras e os trotes constantes para o telefone 193 estão atrapalhando o bom atendimento do Corpo de Bombeiros. Eles temem que ao atender um trote deixem de atender um caso real.
O Corpo de Bombeiros atende, em média, 400 telefonemas por dia. Deste total, pelo menos 300 são brincadeiras, geralmente de crianças, que ligam e dizem palavras ofensivas, gritam e desligam, explica o tenente Eros Antônio Pereira.
De acordo com ele, das 100 ligações restantes, de um a cinco são trotes. Pessoas que ligam simulando aflição e avisando sobre incêndio ou acidente. Essas ligações normalmente são feitas de telefones públicos, o que inviabiliza a checagem.
Na dúvida, os bombeiros deslocam viaturas e equipes de salvamento para o local indicado. “Não podemos descartar a possibilidade do fato ser real. Na dúvida, mandamos a equipe para o localâ€, afirma.
O deslocamento de uma equipe, segundo o tenente, envolve custos que saem do bolso do contribuinte. “Uma viatura com 11 mil litros de água consome um litro de combustível por quilômetro rodado. O gasto sai do bolso do contribuinte, do nosso bolsoâ€, ressalta o tenente Eros.
Para ele, falta conscientização por parte da população. â€œÉ dinheiro público sendo usado desnecessariamente. Temos que conscientizar a população que este tipo de brincadeira custa caro para a sociedadeâ€, diz.
Além dos gastos econômicos, o deslocamento de uma equipe acarreta estresse ao bombeiro, normal em qualquer saída para atendimento. O trote tem uma outra face ainda mais grave: pode causar a morte e provocar grandes estragos em um caso real, enfatiza o tenente. “Se deslocamos uma equipe ou um comboio para um atendimento fictício e ocorrer um caso real, nosso tempo de atendimento pode ser prejudicadoâ€, frisa.
Ele ressalta que os bombeiros levam de dois a três minutos para atender uma ocorrência na área urbana de Bauru. “Se demoramos mais que isso, temos que justificar e corremos o risco de ser punidosâ€, conta.
O tempo, segundo ele, pode significar mortes ou danos de grande monta. “A demora no caso de incêndio ou de acidente, pode significar muito. A população precisa se conscientizar disso.â€
Os trotes e brincadeiras para o telefone 190 ocorrem mais no período da tarde, quando as crianças estão em casa sozinhas ou com a empregada . “Os pais precisam orientar as crianças. O número 193 é atendimento de emergência. Alguém pode estar precisando verdadeiramente de socorro e a linha vai estar ocupada com brincadeiraâ€, diz.
O tenente Eros ressalta que os casos possíveis de serem identificados estão sendo registrados na polícia. “Temos o aparelho de identificação. Quando o número é de telefone público não temos quem punir. Mas quando identificamos o número, registramos um boletim de ocorrência por falsa comunicação de um fatoâ€, avisa.