O rapper bauruense Fernando Perbony lançou recentemente no mercado o seu segundo álbum, “Há Poder no Sangue de Jesusâ€. O disco vem dois anos depois de sua estréia no rap gospel, com o disco “Fora o Farol da Polícia Algo ia me Iluminarâ€, de 2000.
A novidade do novo trabalho é a edição do álbum também em vinil. “Para ajudar os DJs a fazerem scratchâ€, explica Perbony, que toca acompanhado pelo DJ Cristiano Dias, o Pick-up Dias, defensor do antigo método de produção de discos: “o vinil não tem como piratearâ€, diz.
Rapper desde 96, Perbony adotou o estilo gospel depois de passar por experiências ruins por causa das drogas e ter freqüentado uma instituição de recuperação para dependentes químicos. “Decidi usar o rap para levar uma palavra de esperança para as pessoas ao invés de agredir. Uso a música para falar de coisas boas, principalmente para a povo pobre, da periferiaâ€, explica.
Segundo Perbony, o novo disco é uma continuação do primeiro trabalho, dentro do estilo original do rap de levar uma mensagem, protestar e expor os problemas das classes menos favorecidas.
No disco, Perbony fala de religião, de Deus, mas também do preconceito racial e de condição social. “Na periferia, as pessoas têm dificuldade de encontrar Deus por causa da roupa que usam. A gente fala que isso não tem nada a ver. Não é porque um cara usa boné que ele não pode ir à igreja. Deus está no coraçãoâ€, afirma Dias.
Para Perbony, suas músicas e também seus discos são uma forma de mostrar que é possível superar os obstáculos dos vícios e da violência.
“Quando eu estava por baixo não sabia para onde ir. Se naquela época tivesse descoberto a música, o rap, teria seguido outro caminho. O meu trabalho também tem esse objetivo. Incentivar o ‘moleque’ a sair da droga, a seguir a Bíblia, a não beber, como eu faço hojeâ€, diz.