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Alimentação oriental está em expansão

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 8 min

A busca por uma vida mais saudável está levando os brasileiros a aderirem à alimentação oriental. Restaurantes e lojas especializadas na venda de produtos orientais tiveram um “boom” nos últimos anos. Na cidade, vários estabelecimentos do tipo abriram suas portas e apostam no crescimento do mercado. O carro-chefe das vendas são os produtos e pratos à base de soja e peixe.

Há seis anos Walter Shigueyuki Hirata abriu uma mercearia onde os produtos orientais representam 90% das mercadorias. Neste período, ele notou que a procura por produtos à base de soja e algas marinhas cresceu oito vezes. “Os produtos mais procurados são à base de soja e algas marinhas. Os médicos indicam e as pessoas consomem.”

De acordo com o comerciante, no início das atividades a venda era feita para os japoneses e seus descendentes. Atualmente, os brasileiros freqüentam o estabelecimento. “Eles não conhecem todos os produtos. Adquirem os mais fáceis de confeccionar. Alguns estão fazendo curso de culinária oriental para mudar a alimentação. Eles buscam a longevidade e a estrutura física dos japoneses.”

O comerciante ressalta que quando abriu a mercearia vendia 20 queijos de soja (tofu) por semana. “Hoje vendo 100. Outro produto bastante procurado é a alga marinha.”

Os doces da culinária japonesa, a maioria contendo feijão, em suas várias versões, são bem aceitos pelos brasileiros, ressalta Hirata. “Os brasileiros gostam dos doces de feijão, especialmente os cozidos no vapor, que contêm menos calorias.”

Chinês & Japonês

O comerciante Igor Moreira da Cunha vislumbrou há 15 anos que o mercado de comida oriental ia ter um “boom” e investiu no setor. Proprietário de um restaurante na Zona Sul, ele apostou no costume. “No começo, as pessoas não conheciam o sabor e nem o conteúdo dos pratos. Fomos apresentando o cardápio. Hoje, eles sabem o que estão comendo. Conhecem o sabor. Estão acostumados.”

O restaurante tem um cardápio que atende a todos os gostos. Apresenta comida chinesa, brasileira e japonesa. “Atualmente, os clientes procuram uma alimentação mais saudável, pratos à base de verduras e legumes, com pouca gordura.”

Quando percebeu o crescimento do setor, o comerciante tratou de ampliar o ambiente e inovou com a contratação de um sushi-man. ‘boom’. As pessoas passaram a procurar comida mais fresca e saudável. Montei o sushi-bar, especializado em comida japonesa.”

O carro-chefe do restaurante, segundo Cunha, é o cuidado com a matéria prima. “Os Sushi, prato japones mais procurado, é confeccionado com peixe cru. Nosso peixe chega de avião e fica numa temperatura de 3 a 4 graus e tem que ser usado em dois dias. Depois desse período, ele não pode ser usado para sushi.”

O comerciante lembra que o sushi tem seu sabor alterado se for feito com peixe congelado ou mal conservado. “Os pratos são frescos para não ter alteração de sabor.” Ele calcula que a procura por comidas orientais teve um aumento de mais de 100%.”

Novo estilo

O sushi-man, Marcelo Honda observou que os brasileiros estão adotando um novo estilo de vida e resolveu investir na culinária japonesa. “Eu e meus irmão abrimos um restaurante japonês porque percebemos que há uma tendência das pessoas em adotar uma alimentação mais saudável.”

Ele conta que antes de abrir as portas fez uma pesquisa de mercado em Bauru. â€œÉ um mercado promissor. A culinária japonesa está em expansão. No pouco tempo de funcionamento, noto que 90% dos meus clientes são brasileiros.”

O diferencial do restaurante de Honda é a arte de montar os pratos. “Costuma-se dizer que os pratos japoneses são comidas com os olhos também. Invisto nisso, além da qualidade dos produtos.”

Ele frisa que a culinária japonesa é farta em nutrientes e por isso atrai tantas pessoas. “O paladar do brasileiro é diferente, mas a aceitação está acima da expectativa, porque os ocidentais estão em busca da saúde e da longividade dos orientais. O gengibre, por exemplo, usado em várias receitas, é um antiinflamatório natural.”

Pioneiro

Um dos primeiros restaurantes especializados em culinária japonesa de Bauru, sobrevive com boas perspectivas. “Em sete anos de existência observei que o movimentou cresceu mais de 200%. É um mercado em expansão e sólido. Nossos clientes são brasileiros da classe média, média-alta e alta,” explica o proprietário Célio Kameo.

O perfil do consumidor de comida oriental, segundo ele, é de gente que busca qualidade de vida. “Pessoas bem informadas sobre alimentação saudável. A mídia trabalhou bastante a questão da soja e do peixe, isso ajudou bastante no crescimento do setor.”

Ele admite que a comida oriental é mais cara que a brasileira.“Usamos muitos produtos importados, mas é preciso analisar o custo/benefício. O preço do dólar varia e o preço dos ingredientes também. Não repassamos aos clientes, mas nosso lucro diminui.”

A adesão dos brasileiros, na opinião dele, é tanta que o atendimento em domicílio ganhou força. “Já preparamos até festas orientais nas casas dos clientes.”

Sem sofisticação

Há cinco anos e meio no setor de alimentação oriental, Alberto Nakayama apostou na qualidade sem muito requinte para conquistar os bauruenses que gostam de comida oriental.

Ele montou um restaurante no começo da Vila Bela Vista e passou um ano e meio ensinando os bauruenses a conhecer o sabor da culinária japonesa.“No início foi difícil. Os bauruenses não estavam acostumados com o sabor e questionavam o conteúdo dos pratos. “A maioria dos clientes são brasileiros. Os japoneses fazem comida em casa. Ultimamente é que eles estão saindo para comer fora.”

Nakayama diz que o sistema de entrega representa 25% de seu movimento diário. “Muitos clientes pedem por telefone. O meu forte é o preço e a qualidade dos produtos.”

Toque oriental

O irmão de Alberto, Paulo César Yukio Nakayama, usou a experiência do restaurante da Bela Vista e abriu um semelhante, na Zona Sul. “Achei que o ponto era melhor. Parte da clientela do primeiro restaurante onde eu era sócio de meu irmão, era da Zona Sul.”

O restaurante de César Nakayama oferece outras opções além das comidas orientais. “Mesmo a fritas nossa tem um toque oriental. A fritas é universal”, diz.

Ele acredita na expansão do setor.“Nosso público alvo é a classe média. O mercado está em expansão porque agrega alimentação leve e saudável.”

Eqüilíbrio

O eqüilíbrio entre legumes e carne é que atrai os consumidores para a comida chinesa, avalia o proprietário de uma franquia especializada neste tipo de alimentação da cidade, Kenji Ernesto Iwmoto.

O comerciante acha que o consumo de comidas orientais é crescente não só no Brasil. â€œÉ uma tendência mundial”. Em seis anos e meio de comércio, Iwmoto conseguiu sair de um prédio alugado para uma estrutura própria. “Sem adaptações. A cozinha foi construída com toda a infra-estrutura necessária.”

O público alvo da franquia são os brasileiros e descendentes de orientais que moram na cidade. “Atendemos em média de 70 a 80 pedidos/dia, para entrega em domicílio. Há um mês começamos a servir no local, coisa que não fazíamos.”

O carro-chefe da franquia é o Yakisoba. â€œÉ uma comida oriental de origem chinesa. Ele mistura carne vermelha, frango, legumes, broto de bambu, champignon e macarrão com um tempero especial.”

Comidas mais pedidas

Tempurá; Yakisoba; Sukiyaki; Sashimi; Sushi; Salada de tofu (queijo de soja)

Visual atrai

O casal Roberto e Karina Guisardi aderiu à culinária japonesa e pelo menos uma vez por semana visita um restaurante especializado. A mulher admite que o sabor da comida japonesa é diferente e que o brasileiro precisa se acostumar. “Não é da primeira vez que se come que gosta. É preciso tentar mais de uma vez.”

A conquista gradual garante a fidelidade, segundo ela. “Quando a gente acostuma, se apaixona e não deixa mais de comer os pratos japoneses. Eu aprendi com meu marido, em São Paulo, onde muitas pessoas consomem alimentos orientais.”

Ela acha que a montagem dos pratos atrai muito. “São bem apresentados e a gente fica com vontade de consumir.”

O marido é adepto da culinária oriental e aposta que o filho que vai nascer também será. â€œÉ muito nutritiva. Aposto que nosso filho também vai gostar.”

Aprendendo a cozinhar

A professora Maria Cavaguti (Cida) encontrou na culinária oriental um filão. Há 10 anos ensinando como confeccionar os pratos tradicionais da cozinha japoneza e chinesa, ela constatou que o perfil do aluno mudou. “Quando comecei a ensinar culinária eram os descendentes de orientais que queriam aprender. Hoje, são os brasileiros, sem qualquer descendência que procuram o ensinamento.”

A professora conta que o “boom” da alimentação oriental tem forte ligação com a teoria da vida saudável. “As novelas começam a mostrar os atores saboreando pratos da cozinha oriental. Os jornais informam que os pratos são frescos, saborosos e considerados de baixa caloria. Tudo isso fez com que os brasileiros passassem a se interessar.”

Dentre os alunos da professora há jovens e adultos. “Tenho alunos médicos que gostam de cozinhar e que estão aderindo à cozinha oriental. As mulheres ainda são maioria.”

Os alunos procuram aprender os pratos mais tradicionais. “O sushi que é o arroz enrolado com algas. O sashimi que é o peixe cru. O niguiri-sushi que é o bolinho de arroz com uma fatia de peixe por cima e os pratos confeccionados com soja.”

O curso de culinária não é para tornar o aluno um profissional, avisa a professora. “Minhas aulas são endereçadas aos amadores, pessoas comuns que querem aprender. Só uma vez eu ensinei um rapaz que acabou se tornando um sushi-man.”

Ela calcula que mais de 200 bauruenses já freqüentaram seus cursos em 10 anos. “Eu não anuncio os cursos porque as aulas são em casa e não tenho espaço para mais de 15 alunos.”

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