Tribuna do Leitor

MAIS UMA VEZ E SEMPRE: "NÃO À ALCA"


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Para os defensores da Alca (pasmem, eles existem), para os que negam que ela seja o aprofundamento da recolonização em curso, basta ver o que aconteceu com o México, que faz parte do Nafta, que é um acordo entre os Estados Unidos, Canadá e México, baseado nos mesmos princípios que sustentará a Alca. Simplesmente, significou a desnacionalização de suas indústrias, o aumento da dívida externa, o retrocesso agrícola, o aumento do desemprego, a diminuição dos salários, deixando o México mais explorado e dependente do que nunca. Haviam neste país 11 milhões de pobres, 16% da população. O Nafta foi implementado em 1994 e já em 2001, o México apresentava 54 milhões de pobres, 58% da população e ainda cerca de 20 milhões de indigentes. Isto sem falar que a dívida externa mexicana em lugar de baixar, aumentou, as exportações diminuíram, o que se tem produzido é a desnacionalização da indústria por causa da importação de insumos industriais que têm substituído os nacionais. O sistema financeiro passou para mãos estrangeiras, a cesta básica aumentou 560% e existem 50 milhões de desempregados. Como se não bastasse, as empresas transnacionais, com o amparo das normas do acordo do Nafta, têm patenteado produtos tradicionais do México como o milho, o tomate e também as plantas medicinais. O que será que tudo isto representa? Será que isto não é perda de soberania, recolonização, miséria?

E o que esperar da Alca? Com ela não existiriam mais fronteiras para o capital nas Américas, resultante da abolição de todas as tarifas alfandegárias. Parece uma maravilha, não é mesmo? Porém, as grandes empresas imperialistas têm uma produtividade muitíssimo maior e entrando aqui com produtos a preços mais baratos, arrasarão com as empresas nacionais. A enorme disparidade entre as duas economias impõe uma competição totalmente desleal. Além disso, temos exemplos da política protecionista americana, como a restrição à importação do aço brasileiro e os subsídios à agricultura dos EUA pelo governo Bush. Apenas dois exemplos que mostram que essa conversa de “livre mercado”, significa liberdade para as grandes empresas transnacionais ditarem as regras para seu melhor deslocamento e aumento de lucratividade, causando, com o desequilíbrio entre importação e exportação do Brasil, a ampliação do mercado para as grandes empresas norte-americanas e a falência das empresas nacionais, ocasionando níveis assustadores de desemprego.

Não se enganem pensando que a Alca é somente um acordo comercial. A complementação da privatização da saúde e educação se dará com a privatização das universidades e hospitais públicos e o livre acesso do capital estrangeiro a estes serviços, afinal não é a abertura total do mercado que este acordo significa? Esta “abertura” inclui ainda, além de serviços como a saúde e a educação, a energia, a água, o petróleo, etc. As nossas fontes de energia vão se transformar em “propriedade hemisférica”, ou seja, propriedade dos “donos do hemisfério”. Todo o ecossistema da Amazônia estaria ameaçado, uma vez que o interesse por esta parte do continente pelos Estados Unidos é evidente, pois até já nos propuseram trocar parte da dívida pelo arrendamento da Amazônia. O acordo, inclusive já está pronto, não há como negociar modificações. No caso de acontecer algum problema entre uma empresa estrangeira e o governo do país, quem julgará será um “Painel Arbitral”, dirigido pelo Banco Mundial, que estará acima da Constituição Nacional, acima das nossas leis. É o controle jurídico estrangeiro dentro do nosso país. Isto já vem ocorrendo no Nafta. Uma coisa totalmente absurda e inconcebível.

Para terminar, a União Européia não serve como exemplo de união democrática entre países. É a união dos países imperialistas europeus para fortalecer o domínio dos grandes bancos e das grandes transnacionais sobre outros povos na Ásia, na África e na América Latina. E o Mercosul é uma reprodução de relações de dominação entre países, com os mais fortes explorando os mais fracos.

Enfim, a Alca não é uma luta entre brasileiros ou latino-americanos contra os norte-americanos. As grandes empresas norte-americanas e o governo dos EUA é que são nossos inimigos em relação à Alca. Os trabalhadores dos EUA podem e devem ser nossos aliados, pois muitos são explorados também. Na maior mobilização contra a Alca, em Quebec, no Canadá, por exemplo, haviam centenas de sindicatos, eu disse sindicatos, sim, e cinco centrais sindicais, sabem de onde? Dos EUA e Canadá. Não é só no Brasil que acontecem movimentos contra a Alca (Ataque Letal Contra as Américas). Toda a América Latina vive enfrentamentos contra esses planos do imperialismo, que necessita urgentemente se refazer da recessão econômica e do fracasso de seus planos de ajuste. Precisa superexplorar os trabalhadores e povos do mundo para que paguem os custos de sua crise.

Será que é tão difícil entender, ou quem não está vendo é porque não interessa ver? E creiam, a única alternativa a tudo isso é a luta pelo Socialismo. (Sonia M. L. P. Carvalho - RG: 2.068.663)

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