Saúde

Cuidados começam na escolha da raça

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A primeira providência que uma pessoa deve tomar antes de adquirir um animal de estimação é definir qual será a função dele na família - guarda, defesa ou companhia. Isso ajudará a determinar qual é a raça mais compatível com o desejo e objetivos do criador.

O segundo passo é buscar informações junto a veterinários, criadores e expositores sobre as necessidades, hábitos e comportamento peculiares àquela espécie. Alguns animais são mais dóceis, outros mais agressivos. Uns se adaptam facilmente às crianças, outros não. Certas raças são mais agitadas e precisam correr, outras são mais tranqüilas.

A partir destas informações, a família terá condições de avaliar não só qual é o animal mais indicado, como também de avaliar se aquela casa é adequada para recebê-lo. Um cachorro de médio porte e agitado, por exemplo, não se daria bem num apartamento ou imóvel sem quintal.

Definida a raça do bichinho, é hora de pesquisar os custos da criação e planejar o orçamento. A menos que o animal seja um presente, o criador terá que arcar com o valor da compra, que varia muito de raça para raça, de criador para criador.

Logo nos primeiros dias, será preciso fazer uma visita ao veterinário, para verificar as condições de saúde do bichinho e programar as datas para vermifugação e vacinação. Isso significa pagar por uma consulta, pelas vacinas e pelos remédios. Algumas vacinas precisam receber reforço após alguns dias e lá se vai mais dinheiro.

Paralelamente, deve-se somar os custos com ração e higiene. Se o animal for muito peludo, por exemplo, banho e tosa serão mais freqüentes. Também é necessário providenciar um abrigo para ele, seja a construção de um canil ou a aquisição de uma casinha.

Feitos todos estes cálculos, ainda é preciso ter em mente que você está adotando um ser vivo, que pode sofrer acidentes e pode adoecer a qualquer momento. Da mesma forma que qualquer ser humano, alguns animais são mais frágeis que os outros, alguns podem ser alérgicos e assim por diante.

A família vai levar certo tempo para cumprir todas estas tarefas. Este tempo somado às informações coletadas permitirão que se tome uma decisão consciente. Se todas as pessoas procedessem desta forma, não haveria tantos animais abandonados pelas ruas.

“O problema é que as pessoas adotam o animal por impulso. Daí a seis meses, ele cresce além do esperado, ou um dos filhos não se dá bem com ele, ou ele adoece e o tratamento custa caro. De repente, a pessoa diz ‘Pensei que era só criar, mas esse bicho está me dando muita despesa e muito trabalho’, e põe na rua”, comenta o veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto, chefe da seção de controle de zoonoses da Prefeitura Municipal de Bauru.

Segundo ele, além de ser uma atitude ilegal, ela ameaça a segurança e saúde de toda a comunidade. Um animal doente pode disceminar o problema para outras pessoas. Se ele é agressivo, pode atacar pessoas na rua. Sem contar os riscos para o próprio bichinho de ser atropelado ou morrer de fome.

“Infelizmente, a prefeitura não tem estrutura para recolher ou tratar estes animais. Não existe SUS (Sistema Único de Saúde) para cães e gatos. O controle de zoonoses é ligado à Secretaria Municipal de Saúde. Se nós já temos dificuldades para atender a população, que dirá os animais desta população”, observa.

Gonçalves Neto reforça a importância de uma decisão bem pensada e salienta que o animal adotado deve ser considerado um membro da família, para que não ocorram situações como a das pessoas que se mudam de uma casa para um apartamento e não têm “o que fazer” com o cachorro. A adoção é para a vida toda.

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