Boletim de ocorrência registrado na sexta-feira, no Plantão Policial, acusa a diretora da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), Edinéa Sita Cucci, de cometer cárcere privado contra uma funcionária da entidade.
O documento foi assinado pela própria servidora, que exerce função de coordenadora pedagógica e não quer o nome veiculado a fim de respeitar normas internas da fundação. Pela mesma razão, evitou comentar as acusações.
Segundo consta no documento, a reclamante teria iniciado seus trabalhos às 7h daquele dia, mas pouco depois teria recebido uma orientação da diretora para permanecer, até segunda ordem, no interior de uma sala, onde teria ficado sob a observação de Sita Cucci.
Algum tempo depois, a funcionária teria abandonado o local com o intuito de deixar a unidade, porém, ao chegar na portaria, teria sido impedida de sair do prédio pela vigilância da instituição, que alegava estar cumprindo órdens superiores expressas.
Diante da situação, consta no BO que a servidora permaneceu das 8h30 às 12h na sala de reuniões, quando deixou a Febem para atender a uma notificação do Ministério Público, onde iria prestar esclarecimentos no procedimento preparatório de inquérito instaurado pela 8ª Promotoria de Justiça de Bauru.
De acordo com o documento registrado na Polícia Civil, a funcionária acredita ter recebido tal tratamento por parte da diretora porque é filiada ao Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa). A entidade é autora de denúncias de irregularidades envolvendo Sita Cucci.
A servidora acredita que a diretora a considera responsável por possíveis informações transmitidas ao sindicato.
Histórico
Na semana passada, o diretor da Sintraemfa, Antonio Gilberto da Silva, procurou os promotores da Infância e Juventude e da Cidadania, respectivamente Onilande Santino Basso e Fernando Masseli Helene para registrar novas denúncias contra a diretoria da Febem.
Segundo material encaminhado ao Fórum, internos teriam sido vítimas de agressão e Edinéa Sita Cucci não teria tomado as providência necessárias a fim de proteger os menores e os funcionários.
No mesmo período, o presidente da entidade também protocolou informações novas ao inquérito aberto na 8ª Promotoria de Justiça para apurar as denúncias de que a diretora teria se utilizado de funcionários da fundação para realizar serviços em sua residência.
A assessoria de imprensa da Febem negou todas as acusações e as atribuiu a problemas de ordem político-eleitoral. Com relação ao registro do BO, informou tratar-se de um problema interno, que está sendo resolvido por meio de medidas administrativas cabíveis. A diretora da unidade local da Febem não foi ouvida porque é proibida de manifestar-se junto à imprensa.