Bairros

Remoção de carrinho gera reclamação

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

A obrigação de retirar da via pública os carrinhos para venda de lanche ou outro produto no final do expediente está gerando reclamações entre vendedores ambulantes de Bauru. Até a lei municipal que regulamenta a atividade de permissionário entrar em vigor, há pouco mais de um mês, os trêileres não eram retirados do local de estacionamento.

A decisão de recolher esse tipo de veículo à noite é da comissão municipal instituída para ajudar na regularização da atividade de ambulante em Bauru, segundo Maria Helena Rigitano, titular da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan). Porém, há camelôs que consideram a medida inviável.

É o caso de Célia de Paula, que tem um carrinho de lanches na esquina das ruas Agenor Meira com 1.º de Agosto. Ela afirma que não tem veículo para fazer o reboque todo dia à noite e no outro dia de manhã. “O fiscal disse que a partir de segunda-feira não posso mais deixar o carrinho na rua. Tive que pedi ajuda a um amigo e pagar um estacionamento”, diz.

Maria Helena explica que os ambulantes têm 60 dias para cumprir a determinação. “Foi dado um prazo para adaptação, mas vários camelôs que trabalham na guia já está tirando os seus carrinhos. Começamos pela área central, mas vai ser exigido na Praça da Paz também”, conta.

A remoção dos carrinhos de lanche à noite foi adotada por dois motivos, de acordo com Maria Helena: para contribuir com a higiene e com a segurança. “Foi um pedido da polícia que a comissão achou pertinente porque, além de poder ser usado como esconderijo de produtos furtados e drogas, pode acumular lixo junto às rodas”, explica.

O vendedor de caldo de cana João Ribeiro da Silva, vizinho de Célia, é outro que discorda da remoção dos carrinhos. “Estou há sete anos aqui e nunca foi pedida a remoção. Não tenho carro para rebocar e nem sei dirigir. Não tenho como retirar o carrinho todos os dias”, expõe.

Célia conta que seu trêiler de lanche pesa 1.500 quilos, o que inviabilizaria empurrá-lo manualmente. Ela relata que o estacionamento custa R$ 40,00 por mês e reclama que outros colegas não estão fazendo a recolha. “Acho que só três estão recolhendo os carrinhos. Se a lei vale para mim, tem que valer para os outros também”, cobra.

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Sinteib

Mário Augusto dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Economia Informal de Bauru (Sinteib), confirma que vários ambulantes estão com dificuldade de fazer a recolha de seus carrinhos de lanche.

“Recebemos várias reclamações e vamos conversar com a comissão para que pelo menos os carrinhos fechados, como os usados na venda de caldo de cana, possam permanecer na rua”, afirma. Santos concorda com a polícia, mas acha que somente os carrinhos menores e abertos, com lugares para esconderijos, seriam retirados das ruas todos os dias.

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