Passando por perto da casa do meu vizinho Lelis Domingos Cruz, fui convidado por ele para um trago de pinga pura proveniente de um alambique artesanal. Aceitei o convite mesmo porque o horário do almoço já estava próximo e uma pinga boa me deixa entusiasmado. Entramos num gostoso bate-papo, sendo convidado por sua mãe dona Laura para almoçar, o que agradeci, mas recusei o convite.
Durante o bate-papo entre eu, o Lelis e seus irmãos Levy e Luiz, a dona Laura já foi servindo arroz com traíra frita e ensopada, além de cervejas. Vendo tudo aquilo sendo depositado na mesa, de pronto fui logo dizendo:
- Em atenção ao convite, vou fazer a vontade de dona Laura aceitando almoçar junto com todos!
Durante a conversa, o Lelis me falou sobre as traíras servidas no almoço. No dia anterior, eles estiveram no vilarejo de Quilombo, onde foram passar o dia. No regresso à tarde, vieram por estrada de terra e ao passar por uma lagoa, avistaram uma vara embodocada e se movimentando, sinalizando que havia peixe grande fisgado nela.
O Lelis foi até a lagoa e, não conseguindo içar o enorme peixe preso, começou a gritar pelo pescador que havia deixado aquela vara de espera. Como o pescador não apareceu e ele não conseguiu retirar o peixe sozinho, chamou pelos irmãos para ajudá-lo.
Os três juntos retiraram a vara, atirando o enorme peixe ao lado da lagoa e constataram a existência de duas traíras (trairões) pesando mais ou menos sete quilos, que estavam fisgadas no mesmo anzol. Ao retirar os dois trairões, verificaram que um deles, ao abocanhar a isca que era uma rã viva, esta escapou por entre a guelra, saindo do lado de fora e em seguida o outro peixe engoliu a isca, sendo fisgado normalmente.
Lendo a história de pescador escrita por Fernando Laureano Afonso “Causo de Sucuriâ€, no caderno de Turismo publicado no JC do dia 12 de setembro, e possuindo também pinga pura amarelinha de um alambique artesanal perto de Pederneiras, já estou pensando em fazer uma troca com a vizinha dona Laura: Pinga e arroz com traíra. (Dorival Nogueira)