A diretora da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), Edinéa Sita Cucci, registrou um Boletim de Ocorrência anteontem com o intuito de que a Polícia Civil averigue a coordenadora pedagógica da instituição, a quem ela acusa de calúnia.
Na sexta-feira, a funcionária, que pediu para não ter o nome veiculado a fim de respeitar normas internas da fundação, também registrou um BO alegando ter sofrido crime de cárcere privado por parte da diretora, conforme matéria publicada pelo JC.
No registro policial, Sita Cucci esclarece que impediu a coordenadora de ir até o pátio naquele dia por questões de segurança, já que ela estava insatisfeita com a forma com que a servidora desempenhava suas funções. Assim, antes de liberá-la às atividades com os adolescentes custodiados, a diretora iria discutir o problema com seus superiores.
Ainda consta no documento, que a coordenadora pedagógica foi notificada por escrito da decisão, mas se recusou a assinar o documento. O boletim também diz que sua subordinada só não foi autorizada a abandonar a unidade da Febem porque iria deixar o prédio fora do horário permitido e sem apresentar a justificativa de ponto, uma autorização de dispensa formulada pelo chefe imediato.
Tanto a coordenadora pedagógica quanto Edinéa Sita Cucci são impedidas de comentar o assunto com a imprensa. A assessoria da fundação voltou a informar que trata-se de um problema interno, que está sendo resolvido por meio de medidas administrativas cabíveis.
As denúncias serão investigadas pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que ainda não recebeu o BO efetuado na segunda-feira e por isso não definiu os procedimentos investigativos.
Sindicato nega
O Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa) vai aproveitar as apurações policiais para desmentir a diretora da Febem, informou o presidente da entidade, Antonio Gilberto da Silva.
Também vai contar com o trabalho da Comissão Processante Permanente (CPP) da Febem, que teria sido convocada pela entidade, para investigar denúncias desta natureza. Entretanto, no BO, a diretora alega que a iniciativa de chamar a comissão partiu dela. Ontem à tarde, os membros do CPP voltaram a Bauru, mas evitaram falar sobre as denúncias.
Outra questão a ser apurada é a saída da funcionária do prédio. Na opinião de Gilberto da Silva, os funcionários precisam se identificar para entrar, mas dispõem de liberdade para sair da unidade. Além disso, ainda segundo ele, a servidora tinha um depoimento agendado junto ao Ministério Público naquele dia.