Nem um sequer dos figurinhas ou figurões, candidatos a algum posto nas eleições que se aproximam, esqueceu-se de incluir em suas propagandas eleitorais o debatido tema do “desempregoâ€. Em um papo de esquina, a que o jornalista acidentalmente esteve presente, os diversos palestrantes se revelavam, dia destes, firmemente dispostos a darem um doce bem açucarado a qualquer dos inúmeros disputantes que não deixassem escapar da boca inspirada a promessa de seu empenho em favor da eliminação da carência de ocupações profissionais que vai gerando toda uma variedade de violências físicas e morais no País.
Terão condições os executivos e legislativos que se elegerem para satisfazer às necessidades nacionais nesse campo, reconhecidamente maior que os gramados do Maracanã? Duvidam os eleitores e não eleitores porque os atuais mandantes e seus antecessores, que se autoa-firmavam dinâmicos por excelência, tentaram fazê-lo e o problema continua aí. Há décadas que não desaparecem nem com reza brava. Já a sociedade ouviu à bessa, na atual campanha, vozes assegurando a criação de 5 milhões de novas ocupações profissionais, 8 iguais e até mesmo 10, logo que consigam eleger-se, sem que o mercado de oportunidades se mostre aberto assim a tão exorbitante generosidade.
Para o atual ministro Paulo Jobim, “o mercado de trabalho brasiliense está eivado de indicações saudáveisâ€. Mas, bem inserido no contexto, o ministro discorda plenamente dos que acham, com mundos e fundos, nos microfones e nas telinhas, para a descontraída paisagem do desemprego, acrescentando que o máximo que se pode esperar do futuro Governo será 1,5 milhão de vagas a cada ano de mandato.
Acontecendo assim deve esperar-se que muita promessa virá a se queimar, uma vez mais, no cipoal das expectativas eleitorais, a partir da convicção de que promessas só se realizam com dinheiro grosso, o qual, no entanto, nem tudo consegue comprar, exatamente como diz aquela inteligente poesia chinesa, afirmando: “O dinheiro pode comprar tudo, mas não um lar. Pode comprar uma cama, mas não o sono. Pode comprar um relógio, mas não o tempo. Pode comprar um livro, mas não o conhecimento. Pode comprar um título, mas não o respeito. Pode comprar um médico, mas não a saúde. Pode comprar um sangue, mas não a vida. Pode comprar o sexo, mas não o amorâ€. Trata-se de ensinamento que já deu oito voltas ao redor da terra. Seu original é mantido na Holanda. Mas pode circundar estas nossas glebas, inspirando melhor os nossos eleitos. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)