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Universidade e eleição


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Faltando poucos dias para a eleição, podemos avaliar com maior clareza as propostas de cada candidato para governar o País. O que se observa de imediato é que a agenda econômica dominou os debates, inclusive na propaganda eleitoral, o que é compreensível dado o momento que o País vive, deslocando a agenda social para um segundo plano. A forma como cada candidato incorporou suas propostas sobre educação, nos seus programas, dá a dimensão do tratamento a essa questão. Para Lula, a educação é um dos tópicos da inclusão social, que insere, ainda, a política de garantia de renda mínima, programa de combate à fome, saúde e de assistência social. Para Garotinho, a educação é uma das agendas de políticas setoriais, num total de nove, que praticamente dá conta do programa do candidato, exceto as políticas emergenciais e as macroeconômicas. Serra junta a educação com a saúde como igualdade de oportunidades. Para Ciro, a educação faz parte dos problemas do dia-a-dia: o social que funciona, onde estão incluídos o emprego, salário, segurança, saúde, educação, as iniciativas comuns à saúde, moradia e terra.

Com relação à universidade todos os candidatos apontam a necessidade de aumentar o número de vagas no ensino superior e a criação de novas formas de acesso, seja através da democratização do ingresso e garantia de permanência; seja com a possibilidade de acabar com o vestibular. Como a criação de um sistema misto para o ingresso ou pela avaliação continuada para adentrar a universidade. A ampliação implica no aumento de vagas e, aparentemente, os candidatos concordam que o sistema público atual comporta esta projeção, que deveria ocorrer especialmente nos cursos noturnos. O tema do acesso tem que, necessariamente, passar pelo sistema privado de ensino superior, que ocupa hoje, no Brasil 69,8% das vagas oferecidas, contra 30,1% no ensino superior público. Destaca-se à região sudeste onde 80,1% dos estudantes estão em faculdades privadas, contra apenas 19,7% da rede pública, segundo indicadores educacionais analisados pelo Plano Nacional por Amostra de Domicílios - 2001 (Pnad).

A rede privada é desproporcional à rede pública, sendo constatada por todos os candidatos e as soluções encontradas para acesso de jovens de baixa renda, estão centradas na ampliação do crédito educativo ou de concessão de bolsas de custeio, financiadas pelo governo federal. Com relação à avaliação, apesar das criticas ao sistema atual, todos os programas concordam com a sua manutenção, apontando inúmeras sugestões para a sua melhor eficácia.

Quanto ao relacionamento entre as instituições privadas e públicas ou mesmo entre as públicas, os programas sugerem, mas não dizem isto claramente, que algumas públicas ou o sistema público como um todo, será o foco da pesquisa, geração de conhecimentos e formação de quadros de alto padrão. Esta perspectiva está relacionada com uma agenda de ciência e tecnologia, que não dá para ser comentada agora, mas está mais próxima da econômica que da social.

A universidade perdeu uma boa oportunidade para se colocar como interlocutora no debate eleitoral em condições de ser ouvida nas decisões sobre os caminhos do ensino superior. (A autora, Maria Teresa Miceli Kerbauy, é Cientista Política e prof.ª dr.ª do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Midiática - FAAC/Unesp/Bauru)

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