Aproximadamente 70 pés de pínus, plantados há 20 anos, na escola estadual Professor José Aparecido Guedes de Azevedo, na Bela Vista, estão sendo cortados. A iniciativa foi tomada a fim de garantir a segurança dos estudantes do ensino médio e fundamental que freqüentam o local e dos vizinhos próximos.
De acordo com a diretora da escola, Maria José dos Santos, as árvores correm o risco de cair devido à altura. Além disso, a dimensão dos pínus também pode facilitar descargas elétricas em dias chuvosos. “Um outro problema causado pelas árvores diz respeito à integridade das crianças dentro da escola. Um aluno, por exemplo, ao brincar entre as raízes expostas, tropeçou, caiu e fraturou o braçoâ€, explica.
As desvantagens vão além dos riscos aos alunos, segundo a vice-diretora da instituição, Liamara Costa Ablas. “Temos vários vidros quebrados aqui porque a gorotada faz guerra de pinha. A brincadeira pode machucar. Para piorar, iniciamos uma reforma e tememos que tempo e recursos sejam investidos em vão, caso uma destas árvores caia sobre o nosso prédioâ€, comenta.
As responsáveis pela escola ainda informaram que a Associação de Pais e Mestres e vizinhança já solicitaram o corte das árvores em várias oportunidades, especialmente em períodos de chuva.
A informação foi confirmada por Lurdes Ribeiro, que mora na quadra 7 da rua 1.º de Maio, transversal à Olavo Bilac, onde a escola está instalada. “Sempre que chove ficamos com o coração apertado. Por duas vezes já encaminhamos um abaixo-assinado reivindicando a retirada das árvores, mas nossas solicitações não foram acatadasâ€, conta.
Revolta
A decisão da diretoria da escola Guedes de Azevedo revoltou o professor de educação física, Paulo Fernando Zwicker, que fez o plantio dos pínus com as próprias mãos há mais duas décadas. “Os pínus foram plantados através de mudas encaminhadas pela própria Prefeitura Municipal de Bauru porque a escola era muito quente e precisávamos de sombraâ€, recorda.
Para ele, os cortes foram radicais, já que nenhum pínus caiu efetivamente. “Algumas árvores poderiam até ser retiradas, mas não todasâ€, lamenta.
Assim como ao professor, o corte das árvores também desagradou alunos do ensino médio. Segundo informações obtidas pelo JC, eles pretenderiam fazer um manifesto e passar um abaixo-assinado contra a medida.
A insatisfação foi confirmada pela diretora, que diz ter conversado com os alunos, por mais de uma vez, sobre o assunto. “Também não estou alegre com a retirada dos pínus, mas pelo menos estou tranqüila. Agora vamos estudar junto com especialistas qual o tipo mais indicado de árvores para plantar aquiâ€, conclui Maria José.
Segundo informou o engenheiro agrônomo da secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Kazume Kobayashi, tanto o órgão para o qual trabalha quanto o Departamento Estadual de Proteção aos Recursos Naturais não precisam autorizar o corte de pínus porque eles não foram plantados em área de preservação permanente e não são espécies nativas.
“Além disso, esse tipo de árvore, em função das características de suas folhas, impede o crescimento de outras. Na minha opinião, o ideal seria que elas fossem substituídas por árvores frutíferas. Assim, os alunos poderiam contar com a presença de pássarosâ€, sugere.