Polícia

Homicídios conservam perfil caipira

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Homem com idade entre 25 e 40 anos, pouco estudo, com algum envolvimento ilegal e de classe social baixa são as principais características dos autores de homicídios ocorridos em Bauru neste ano.

Embora viva numa cidade de médio porte, os autores de crimes contra a vida matam em brigas de bar, por vingança e por acerto de contas. Na maioria dos casos não há requinte de perversidade.

Pela estatística da Polícia Civil, de janeiro a agosto deste ano foram registrados 24 homicídios em Bauru. Desses, 16 foram esclarecidos. Autores e vítimas, em grande parte dos casos, já possuem ficha na polícia, ressalta o delegado seccional de Bauru Antônio Ângelo Ciocca. “A estatística mostra que tanto a vítima quanto o autor têm algum envolvimento com a criminalidade”, diz.

Outra característica que remete ao típico crime caipira é o local onde ocorreram. Boa parte das mortes foram registradas em bares, onde os envolvidos concentram-se à noite e madrugada. Em nenhum caso foi detectado perversidade.

Os crimes ocorreram quase que por acaso. Uma pessoa encontra-se com outra com a qual tem rixa e inicia-se uma briga. Geralmente uma delas está armada e acaba ocorrendo o crime.

Os motivos são tidos como fúteis, mas escondem situações que só os envolvidos poderiam esclarecer, explica o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel, Alexandre Borin Cintra. “São tidos como fúteis. Não temos conhecimento preciso das razões que levam uma pessoa a matar”, diz.

O delegado seccional ressalta que é difícil evitar e prevenir esse tipo de crime. “Não tem como prever que alguém vai matar outro. Uma faca ou uma pedra pode se tornar uma arma, dependendo da situação”, frisa.

Ao contrário do que acontece na Capital, onde o índice de esclarecimento de crimes é ínfimo, em Bauru mais de 50% dos homicídios deste ano foram desvendados. Dos 24 assassinatos registrados de janeiro a agosto, 16 foram esclarecidos, ou seja, 66,6%.

O número de crimes contra a vida no município de Bauru está estabilizado, na opinião dos comandos da Polícia Civil e Militar. Em 2000 foram registrados 46 homicídios. Em 2001, 53 e neste ano, de janeiro a agosto, 24.

As armas de fogo figuram como a mais utilizada para cometer os crimes registrados em Bauru. Dos 24 registrados neste ano, 21 foram ocorreram com o uso de arma de fogo. Um crime foi cometido com foice e dois com pedaços de pau.

Definição geográfica

Os bolsões de miséria continuam sendo palco da maioria dos homicídios em Bauru. A incidência desse tipo de crime nos locais de maior pobreza remete ao tráfico de drogas e acertos de contas.

Embora a Polícia Civil a ocorrência de homicídios esteja pulverizada em vários bairros, as regiões leste e noroeste são as que despontam com maior número desse tipo de crime.

Ciocca explica que as áreas sob jurisdição do 1.º e 2.º distritos policiais são as que mais preocupam. “As polícias Civil e Militar têm desenvolvido operações conjuntas para prender suspeitos, apreender armas e drogas nessas áreas”, diz.

A Delegacia Seccional de Bauru, segundo Ciocca, apreendeu no bimestre de julho e agosto 100 armas de fogo. â€œÉ uma maneira de tentar evitar o crime. Desenvolvemos durante todo o ano a campanha de desarmamento”, completa.

Violência na região

A sub-região de Bauru, que compreende 19 municípios, surpreendeu no número de homicídios neste ano, bem acima do esperado. De janeiro a agosto de 2001 foram registrados 31 homicídios na sub-região.

No mesmo período deste ano ocorreram 35 homicídios, um aumento de 12,9%. A previsão da Secretaria de Segurança Pública para a sub-região era de quatro crimes no bimestre de julho e agosto deste ano, mas ocorreram seis. “Na cidade de Agudos, por exemplo, foram registrados três homicídios, número totalmente fora de previsão. Todos os envolvidos tinham passagem pela polícia”, ressalta Ciocca.

O comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.ºBPMI), tenente-coronel Alexandre Borin Cintra, também se surpreendeu com o número de crimes contra a vida na pacata cidade de Agudos. “No bimestre ocorreram três, número igual ao de Bauru, cidade com uma população maior. A meta para Bauru era de sete e ocorreram três”, frisa.

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