Ser

Métodos vão da escuta à composição

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

A sessão de musicoterapia pode ser aplicada com diferentes métodos, conforme a vontade do paciente e a avaliação do profissional. Na primeira consulta, o indivíduo passa por uma entrevista, quando fala de seus problemas, de suas músicas e estilo preferidos. Estas informações é que vão direcionar a escolha da terapêutica.

“Algumas vezes o indivíduo vai apenas ouvir o que o terapeuta toca. Outras vezes ele vai tocar junto, ou vai tocar sozinho. Também pode ser incentivado a ouvir e repetir sons ou a improvisar um acompanhamento para determinada música. O trabalho ainda pode incluir experiências adicionais em artes plásticas, dança, dramatização e poesia”, comenta a musicoterapeuta Karla Massad.

Ela afirma que o paciente é deixado livre para “inspecionar” o consultório e escolher os instrumentos que quer usar em cada sessão. Segundo ela, dependendo do que ele seleciona e do que quer fazer durante a sessão já é possível descobrir e avaliar inúmeras características daquela personalidade.

A partir destas identificações, o musicoterapeuta cria situações, apresenta desafios e direciona o tratamento para facilitar e promover a comunicação, expressão, organização, relação, aprendizagem e mobilização do paciente.

“Sempre no sentido de alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas dele. Queremos desenvolver seus potenciais e/ou restabelecer funções para que ele possa ter melhor integração intra e interpessoal e, conseqüentemente, obter melhor qualidade de vida”, completa.

Despertar científico

Cantar e ouvir música são “remédios” usados desde os mais remotos tempos. A música está na Bíblia, está na boca da lavadeira que carrega bacias sobre a cabeça, na boca da mãe que embala seu bebê para dormir.

Na segunda Grande Guerra, por volta de 1945, hospitais contrataram instrumentistas para aliviar a dor dos soldados feridos em combate. Naquela época, analgésicos e anestésicos não chegavam aos campos de batalha.

Desde então, pesquisadores resolveram estudar este poder terapêutico dos sons. Os resultados positivos atraíram o interesse de médicos e músicos. “Até que, em 1950, um grupo de profissionais fundou a Associação Nacional para Terapia Musical, criando um curso de formação em musicoterapia com quatro anos de duração e nível universitário”, conta a musicoterapeuta Karla Massad.

A ciência paramédica foi trazida para o Brasil em 1971, pelo psiquiatra argentino Rolando Benezon. Na época, a Faculdade de Educação Musical (atual Faculdade de Artes do Paraná) apresentou o conhecimento num curso de especialização.

Em 1972, a proposta foi encampada pelo Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro, onde foi proposta como curso de graduação. Atualmente, a graduação em musicoterapia é oferecida em faculdades de Curitiba, Salvador, Ribeirão Preto, São Paulo e Goiânia. E já existem cursos de pós-graduação nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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