A suposta precariedade do ensino público tem levado um número cada vez maior de estudantes a disputar vagas em instituições conhecidas por oferecer cursos gratuitos e considerados de qualidade, como os disponibilizados pelo Colégio Técnico Industrial (CTI), ligado à Universidade Estadual Paulista (Unesp), pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
É o caso da estudante Beatriz de Campos, que faz o primeiro ano do ensino médio numa escola estadual. Desde de julho, ela está freqüentando as aulas de um cursinho particular para tentar ingressar no CTI da Unesp.
“O nível das aulas no colégio técnico é melhor e, além disso, através do curso, fica mais fácil conseguir uma vaga no mercado de trabalho, já que os cursos são profissionalizantes. É o segundo ano que presto o vestibulinho. O ano passado, comecei a estudar tarde e meu desempenho não foi suficiente. Vou tentar uma vaga em informáticaâ€, explica.
Assim como ela, em 2002, outros 1.405 estudantes fizeram as provas da instituição, que ofereceu 210 vagas em cinco cursos. Este ano, a relação geral candidato/vaga foi de 6,7, um pouco superior à registrada em 2001 e bem maior que a de 2000, que atingiram 6,46 e 5,28, respectivamente.
Dos cursos oferecidos pelo colégio técnico, o mais procurado é justamente o que será disputado por Beatriz. No vestibulinho deste ano, informática chegou a ter 10,47 candidatos por vaga.
Contudo, o aumento da concorrência não é o único problema provocado pela baixa qualidade do ensino público prestado, segundo informou o diretor do CTI, Edson Alberto de Antonio. De acordo com ele, a cada ano que passa, os alunos são aprovados com menos conhecimento. A situação exigiu que a instituição reforçasse as disciplinas.
“Os alunos chegam com deficiências absurdas. A situação do ensino público pode sair do controle. A progressão continuada é interessante, mas não da maneira como tem sido conduzidaâ€, cutuca.
Compartilha de opinião semelhante o gestor de negócios do Senai, João Guilherme Caetano Fernandes. “Sentimos que nossos alunos apresentam dificuldade principalmente em Matemática, uma das disciplinas mais exigidas nos nossos cursosâ€, ressalta.
No Senai, a procura pelos cursos gratuitos subiu 240% de 2000 para 2001, enquanto o número de vagas dobrou no mesmo período.
A alta na concorrência também não poupa nem os pais que tentam matricular seus filhos nos cursos de ensino fundamental do Sesi. Embora a unidade não forneça dados referentes ao número de inscrição e vagas disponíveis, informações extra-oficiais dão conta de que a procura triplicou nos últimos dois anos.
Para retratar a situação, a coordenadora do Centro Educacional do Sesi do Altos da Cidade, Maria Diva Ruiz, esclareceu que no mesmo período, a instituição remanejava cerca de 40 crianças para vagas disponíveis durante o ano letivo e que este número caiu para 10 em 2002. “As desistências são mínimas agoraâ€, destaca.