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Questão de boa vontade


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Não terá a economia brasileira qualquer saída airosa para as suas tropelias se não conseguir escapar, a todo transe, de outra crise idêntica à de janeiro de 1999, que resultou na primeira maxidesvalorização do real, nosso indefectível dinheirinho desde que foi implantado. Fugir sempre a semelhante turbulência terá de ser a meta irreversível de agora em diante, inclusive de parte do futuro Governo, a fim de que a economia declinante, que massacra a Nação, alcance um superavit contornante. A conclusão procede de muitas das principais cabeças pensantes do Fundo Monetário Internacional, as quais estão convencendo dela os horizontes que têm pela frente nesta conjuntura. Segundo gente desse naipe, está o Brasil pagando o alto preço decorrente daquela maxi e, conseqüentemente, é necessário que seus mercados financeiros sejam reconduzidos à sua mais efetiva normalidade, com o período de transição chegando finalmente ao seu término. E, pergunta-se, como atingir tão volumoso ideal se a metade da nossa dívida externa caminha totalmente atrelada ao dólar que não pára de crescer e, agora, está substancialmente avantajada mediante o megapacote de 30 bilhões recentemente concedido aos nossos pobres cofres pelo famigerado Fundo?

A situação é apavorante, agravando-se com a decisão, semana passada, dos sete países mais ricos do mundo, mostrando-se disposto a evitar ao máximo que grandes pacotes de ajuda financeira continuem a ser canalizados às nações paupérrimas. Enfocando o assunto, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos está preconizando que seu opulento país deve tentar explorar outras opções possíveis, tendo em mira melhorar o sistema existente e os indigentes possam resolver, sem mais empréstimos, terríveis empréstimos, suas penosas crises de endividamento e retornar ao seu sonhado crescimento. É, sem dúvida, um amplo facho de luz na enorme escuridão, segundo a verdade de que quem pode acudir a quem sofre precisa fazê-lo, se não com dinheiro ao menos com idéias válidas, não onerosas à bolsa que os desmandos administrativos debilitam. Algo carece de ser feito e não parece difícil aos ricos levá-lo avante, porquanto se dinheiro lhes sobra, inteligência também não lhes falta. Uma das opções seria boa vontade, pois não? É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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