Um bom observador deve ter percebido que os pet shops, casas comerciais que vendem produtos para animais, têm aumentado dia a dia. E, é claro, se eles aumentaram, o número de animais de estimação também aumentou. Sim. Mais e mais vemos que as pessoas estão tendo animais de estimação, sejam cães, gatos, pássaros, peixes ou outras espécies mais exóticas. Vemos muitos casais sem filhos, que optaram por não tê-los ou tê-los mais tarde, com um bichinho que chegam a tratar com todos os mimos, como se fosse um filho. Isso, quando não é alguém solteiro, que faz do animal sua companhia. Sorte dos bichinhos.
Acontece que numa casa onde se tem crianças nem sempre há espaço para o animalzinho. Mas, os danadinhos são bem fofinhos e não há criança que não se encante por eles. Em geral, os filhos voltam para casa querendo um animal de estimação, depois de terem visto o do vizinho ou do coleguinha.
Muitas vezes, os problemas se iniciam aí. Os pais têm muitas obrigações e não têm tempo de cuidar de um animal, que sempre dará algum tipo de trabalho. Ainda mais nos dias de hoje, em que houve uma mudança de consciência, e não se admite mais maus tratos ou desleixo em relação a eles.
Então, diante da solicitação do filho para ter um bicho, os pais relutam muito. Uns não permitem de jeito nenhum, enquanto outros aceitam. Entre os que topam a idéia, alguns fazem um trato com os filhos: só o terão caso eles se responsabilizem pelos cuidados. A partir de um contrato assim, outros problemas surgirão. A criança prometerá qualquer coisa para ter o bicho, até porque ela não sabe as necessidades de um, pois para elas tudo é simples. Acontece que, apesar de sua boa vontade, às vezes lhe falta habilidade para tanto. E a responsabilidade fica além de suas possibilidades.
Quando isso ocorre, mais problemas surgem, pois o bicho já faz parte da casa e muitas desavenças surgirão porque a criança não cuida dele. Ela acaba sendo cobrada por aquilo que não pode dar ou fazer.
O melhor é o adulto, pai ou mãe, estar ciente de que a responsabilidade pelos cuidados com o animal será dele. O máximo que a criança poderá fazer é colaborar nos cuidados e jamais ser a responsável por ele. Do contrário, o bichinho poderá ficar sem suas refeições. Caso os pais não queiram assumir mais uma responsabilidade, o que é justo, afinal eles não têm de fazer tudo o que o filho quer, o melhor é nem tê-los. Penso que um animal de estimação deve fazer parte da casa de uma maneira gostosa e não ser um ponto de discórdia para a família. (A autora, Ana Cássia Maturano, é psicóloga e psicopedagoga pela USP, especializada em Problemas de Aprendizagem)