Bauru registrou ontem, às 16h30, a temperatura mais alta deste ano, 35,9 graus à sombra. O mesmo aconteceu na Capital, onde os termômetros atingiram 34,7 graus. Em Campo Grande (MS) os termômetros marcaram 36 e no Rio de Janeiro, 38,8 graus.
Além do aumento gradativo da temperatura devido à chegada da primavera, uma massa de ar quente sobre o Estado de São Paulo contribuiu para intensificar o calor. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o calor só deve começar a diminuir no próximo sábado.
Segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), órgão ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a massa de ar quente e seca que está sobre o Sudeste é resultado das altas pressões atmosféricas que impedem a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas, além da aproximação de frentes frias, vindas do Sul do País.
O aumento da temperatura e a diminuição da umidade relativa do ar na região Sudeste, Centro-Oeste e Sul são características do chamado efeito estufa, causado pelas alterações climáticas da região e do planeta, de acordo com o Cptec.
Tais alterações climáticas são decorrentes dos fenômenos naturais como o El Niño e também da ação humana, como as queimadas e a emissão de poluentes, informa o centro de meteorologia.
A temperatura mais alta deste ano registrada pelo Instituto de Pesquisa Meteorológica (IPMet) na cidade de Bauru, até ontem, tinha sido 35,2 graus marcada nos últimos dias 4 e 5. Segundo o IPMet, na primavera Bauru e região têm temperatura média diária de 23,6 graus.
A mínima média fica entre 17 e 18 graus enquanto que a máxima média é de 30 a 31 graus, com ocorrência de recordes chegando a 40 graus nos meses de setembro e outubro.
No ano passado, em outubro, a temperatura mínima registrada em Bauru foi de 16,9 graus e a máxima 29,1 graus. O recorde foi de 34,6 graus. Em novembro, a mínima média foi de 19 graus e a máxima, de 30 graus. O recorde foi de 32,2 graus.
Calor insuportável
O forte calor dos últimos dias tem castigado os bauruenses que mal acabaram de guardar as roupas de inverno. O centro comercial estava lotado ontem à tarde e a venda de sorvetes a preço popular, R$ 0,50 a casquinha, mantinha uma fila de espera.
O proprietário da sorveteria, Adauto Zenco Goia, comemorou a chegada do verão fora de época. “Normalmente eu vendo em torno de mil casquinhas. Desde sábado houve um acréscimo de 40% nas vendasâ€, conta.
Para Luciane Aparecida Rodrigues, que tomava sorvete, o calor estava insuportável na tarde de ontem. “Não estamos agüentando e por isso resolvemos tomar um sorvete para refrescarâ€, diz.
Água de coco
Tomar uma água de coco é bom já dizia o imortal Vinícius de Morais em uma de suas músicas. Entusiasmado com o calor, o permissionário Rubem da Rocha Hano comemora as vendas dos últimos seis dias. “Eu vendo uma média de 50 cocos por dia. Há seis dias estou comercializando de 100 a 120 por diaâ€, afirma.
A expectativa dele para o alto verão é vender de 180 a 200 cocos por dia. “Eu vou implantar o disque água de coco para que os meus clientes recebam em casa a fruta geladinhaâ€, diz.
O aumento nas vendas de caldo de cana também entusiasmou o permissionário José Maria Soniga. “O calor disparou as vendas. Houve um aumento em torno de 70% nos últimos diasâ€, revela. “Quero dobrar as vendas para compensar o longo período de frio e chuvaâ€, afirma.
Água mineral
Os meses de outubro a março são os melhores para a venda de água mineral, explica a proprietária de uma rede de lojas do produto, Daniela Bernini Salles dos Reis. Segundo ela, as altas temperaturas aliadas ao pequeno número de feriados em outubro deram a largada para a comercialização.
Ela conta que os últimos dias foram ótimos para a venda de água mineral. “Para aumentar a demanda é preciso que ocorra vários dias consecutivos de calor. Estamos entregando em tempo recorde, pois subdividimos as lojas. Temos quatro, uma em cada região da cidadeâ€, revela.