Tribuna do Leitor

Estacionamento na Getúlio


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Venho acompanhando desde a última semana, aqui no Jornal da Cidade e em algumas rádios da cidade, as discussões a respeito da proibição de estacionamento na Av. Getúlio Vargas, e suas razões e conseqüências. Pois bem, como jovem, 26 anos, tenho uma visão muito clara a respeito. Generalizar parece que é o remédio usado no Brasil quando se trata de determinado problema e isso não dá certo, pois não se ataca o problema na sua raiz. O que ocorre, na verdade, como bem frisou a secretária de Planejamento, é que a Av. Getúlio Vargas é o local ideal para o encontro da juventude. É um local público, com diversos estabelecimentos comerciais voltados ao público jovem. É uma opção de lazer gratuita para os jovens, pois muitos gostariam de freqüentar locais pagos que não estão ao seu alcance, e Bauru é carente de boas opções baratas de lazer para a juventude. Com isso, reúnem-se jovens de todas as classes e regiões de Bauru e, assim como eu, a maioria não pratica atos de vandalismo. O jovem quer se reunir com seus amigos, ver gente bonita, conversar, passear, enfim, se divertir. Em todas os setores da sociedade há pessoas de bom e pessoas de mau caráter. Com os jovens não é diferente. Uma minoria que pratica vandalismo e exageros é responsável pelas reclamações que vêm ocorrendo. Assim como uma minoria de comerciantes são maus comerciantes, uma minoria da sociedade são bandidos, e assim por diante.

O jovem escancara suas más atitudes de forma tola e até mesmo ingênua, e vai pagar por isso no seu futuro, não tenha dúvida. Mas este é o ponto X da questão. De onde vem o comportamento delinqüente desses jovens? Da sociedade falida e hipócrita, comandada pelos valores dos atuais “adultos”? Pela falta de educação do povo, fruto do descaso de políticos ruins eleitos também pela maioria “adulta” da sociedade? Ou pela falta de educação dos próprios pais, também “adultos”, que não criaram seus filhos de acordo e se lixam para o que eles fazem ou deixam de fazer quando saem, a não ser quando o problema ocorre na ponta do seu nariz? Portanto, dá pra se ter uma idéia que o problema é muito mais complexo do que parece. Agora, determinar uma proibição prejudicando toda uma parcela da população, devido às faltas de uma minoria, não é justo! Concordo que realmente ocorrem os excessos descritos pelos reclamantes, mas creio que a solução deve ser tomada em conjunto. Precisa haver fiscalização constante dos abusos por parte da polícia e autoridades, lixeiras serem colocadas em grande número, procurar mobilizar as pessoas de bem que freqüentam o local, e procura de exemplos para situações semelhantes que certamente já ocorreram em outras cidades. Novamente reafirmo que a solução deve ser buscada de forma ampla. Em resumo, a questão deve ser resolvida com base em princípios democráticos, abrindo mão do autoritarismo e dizendo não aos abusos. (Roger Eduardo Lopes)

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