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Religioso é acusado de pedofilia em Agudos

Da Redação
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Agudos - A Polícia Civil abriu inquérito em setembro último para apurar denúncias de um suposto abuso sexual que teria sido cometido em Agudos, por um frei capuchino que morou na cidade na década de 90. O acusado, Tarcísio Tadeu Spricigo, 46 anos, que atualmente estaria residindo em Anápolis-GO, está detido preventivamente na cadeia de Agudos. Recentemente, o religioso esteve detido em Goiás, também sob acusações semelhantes.

Libertado da cadeia em Anápolis há cerca de duas semanas, por força de um hábeas-córpus, o frei teria vindo para Agudos e se apresentado espontaneamente à polícia local que já dispunha de um mandado de busca conta ele. Após se apresentar, anteontem, o padre foi recolhido à cadeia ontem.

Em Agudos, o inquérito policial foi aberto no dia 23 de setembro de 2002, através do delegado titular, Paulo Calil, para apuração de denúncia de atentado violento ao pudor. A identidade da vítima está sendo mantida em sigilo, em obediência ao Estatuto da Criança e Adolescente. As denúncias dão conta de que o frei teria molestado, em 1999, de forma continuada, um menino de oito anos de idade na época.

Iniciadas as oitivas, o delegado Calil apreendeu documentos que apontaram para indícios de que o religioso manteria um diário relatando como um pedófifo deveria agir. Cópia desse diário contendo relatos obscenos, cuja autoria ainda está sendo investigada, está com a polícia.

Por esses fatos e com fundamento nas oitivas, o delegado, na data de 2 de outubro último, representou pela prisão temporária do frei, pelo prazo de 30 dias, o que foi deferido pela Justiça de Agudos, pois o antigo pároco da cidade não mais residia no local.

Segundo o delegado de Agudos, ainda faltam diligências para a conclusão do inquérito. “Porém, a prova é robusta havendo possibilidade, inclusive, de reconhecimento e perícias nos documentos que supostamente teriam sido escritos pelo padre”.

De acordo com Calil, o frei continuará detido em Agudos até o dia 6 de novembro próximo, quando ele decidirá se representará ou não pela prisão preventiva do mesmo. Paulo Calil não quis tecer comentários sobre o caso nem detalhar o ocorrido pois as investigações proseguem e o inquérito tramita em segredo de justiça.

Afastamento da igreja

Em setembro de 2000, após ter tido conhecimentos dos fatos, a Igreja Católica, por determinação do então bispo diocesano de Bauru, dom Aloysio Leal Penna (hoje arcebispo em Botucatu), afastou o frei da Capela Nossa Senhora Aparecida, no bairro Pampulha em Agudos.

O delegado disse que durante as investigações, pretende-se ouvir todas as pessoas que de alguma forma tenham algo para acrescentar ao caso, inclusive o arcebispo dom Aloysio.

Segundo o delegado Paulo Calil, os fatos só vieram à tona recentemente, quando a criança contou o fato, após ter ficado sabendo da prisão do frei em Anápolis.

Ontem, o advogado Evandro Coutinho França, que faz a assistência jurídica de duas supostas vítimas do mesmo frei em Anápolis, procurou o Jornal da Cidade para comentar as ocorrências naquela cidade, onde os menores têm idade de 5 e 13 anos de idade.

Segundo o advogado, que também tem cópia do suposto diário do frei, as páginas trazem relatos de fatos muito fortes e impressionantes. Em Agudos, onde a notícia da prisão do frei tornou-se conhecida ontem, as manifestações foram as mais variadas. A mãe do menino afirmou à reportagem estar aliviada com a prisão.

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Na igreja

O arcebispo dom Aloysio Leal Penna afirmou ontem à reportagem que de fato soube das denúncias que pesavam contra o frei, algum tempo após a suposta ocorrência do fato em Agudos. Ele disse ainda que após “constatar os fatos”, mandou o frei embora da capela e não entendeu como oportuno comunicar a polícia.

“Eu mandei embora, transferência não. Quem transferiria ele seriam os capuchinos”. Dom Aloysio disse que logo que soube da denúncia tomou a iniciativa de tirar o frei da paróquia. “Eu achei que devia avisar os superiores dele e depois tirá-lo do ministério. Eu acho que a gente deve primeiro procurar recuperar a pessoa, do que denunciar logo”.

O arcebispo expôs ainda a opinião de que, mesmo que a denúncia envolvesse uma pessoa de fora da Igreja, o mais sensato seria indicar um aconselhamento ou um tratamento. “Agora, se reincidente, então teria que recorrer a outras pessoas”, disse o arcebispo observando ainda que é necessário analisar cada fato detalhadamente. “Primeiro você tem que se certificar se é verdade ou não. Muitas vezes não é”

As denúncias feitas à Igreja Católica, segundo dom Aloysio, chegaram através da família a suposta vítima. “Então eu constatei que era verdade o fato e mandei ele embora”. O arcebispo não quis entrar em detalhes mas garantiu que eram indícios evidentes.

A reportagem tentou entrar em contato com a ordem dos capuchinho, em São Paulo mas não obteve sucesso. A assessoria jurídica do frei também foi procurada mas informou que não poderia emitir opinião, dado o segredo de justiça.

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