Cultura

Adeus, mestre!

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Foi enterrado ontem à tarde, no Cemitério do Redentor, uma das maiores figuras do Carnaval bauruense das últimas décadas, o mestre Landinho, reverenciado por todas as agremiações de samba da cidade pelo seu trabalho de mais de quatro décadas à frente de várias baterias em sua premiada trajetória carnavalesca.

Orlando Francisco Costa, ou simplesmente Landinho, como era chamado e ficou famoso, morreu na noite de terça-feira, aos 56 anos, de insuficiência cardíaca, em sua casa, no Jardim Redentor. Depois de passar mal, o mestre de bateria chegou a ser socorrido por uma unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu.

Seu corpo foi velado ontem no Velório São Vicente, no Redentor, que recebeu a visita de centenas de pessoas entre parentes, amigos e membros de todas as escolas de samba da cidade.

Apesar de defender nos últimos três anos a bateria da Coroa Imperial da Grande Cidade e o bloco Flor de Laranjeira, Landinho era, talvez, a única figura do mundo do samba bauruense que pairava acima de qualquer disputa de cor, nome ou bandeira. O som das baterias que conduziu na cidade desde a década de 60 lhe garantiram esse posto.

Seu caixão foi conduzido ao jazigo coberto pelas bandeiras da Coroa Imperial e da Cartola, escola que defendeu por 22 anos, pela qual ganhou títulos e fez desfiles memoráveis.

Acompanhando o cortejo, a bateria da Coroa prestou a última homenagem ao mestre, que foi sepultado após o compositor e intérprete Léo do Rasi lhe dedicar os versos: “O apito do grande Landinho emudeceu/ Partiu e deixou as escolas e os amigos chorando/ Vá em paz, meu querido, Deus está te chamando/ Tu és mais um para fazer samba no céu”.

Separado, mestre Landinho deixou cinco filhas e duas netas.

Insubstituível

A opinião entre os presentes ao velório do mestre Landinho ontem era unânime: o Carnaval de Bauru perdeu grande parte do seu brilho com a morte do sambista. “O Carnaval bauruense está estampado no nome Landinho. Espero que agora as autoridades pensem melhor sobre o desfile do ano que vem para que a tradição do Carnaval da cidade não se perca, principalmente agora com a morte do mestre”, diz Léo do Rasi.

O compositor lembrou ainda a morte, na última sexta-feira, do Francisco de Assis Menezes, o Menezes, compositor carioca que, radicado em Bauru nos últimos anos levou a Cartola a vários títulos. “Ele e o Landinho eram muito unidos. E a gente tem que fazer o desfile em 2003 de qualquer jeito, pelo menos em homenagem a eles, que lutaram tanto pelo Carnaval de Bauru”, afirma.

“A perda do Landinho é irreparável, a gente nem sabe como medir o que a morte dele vai fazer para o Carnaval de Bauru”, diz Avelino de Souza, presidente da Coroa Imperial e da Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec). Segundo Souza, ainda não existe um nome que possa ser citado como possível substituto do mestre à frente da bateria da escola.

Para Pasqual Storniolo, presidente da Cartola, o Carnaval de Bauru ficou mais fraco com a morte de Landinho. “Ele era a pessoa que guiava nosso Carnaval, ele não se deixou abater pela doença, desfilou mancando, de cadeira de rodas... É uma perda irreparável para o Carnaval de Bauru e do Brasil”, lamentou.

Em homenagem ao mestre, o vereador Paulo Madureira, vice-presidente da Cartola, deve, na próxima sessão da Câmara Municipal, na segunda-feira, apresentar um projeto para que a área de dispersão do Sambódromo passe a ter o nome do mestre Landinho, já que a concentração já leva o nome de Queté e a própria passarela do samba é dedicada a Gilberto Carrijo.

“Nada mais justo para ele, para a sua família e para o samba, que ele receba essa homenagem na dispersão, que é onde a escola pára, se confraterniza e tem o seu melhor momento no Carnaval”, diz Madureira.

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A primeira perda

O Carnaval bauruense sofreu sua primeira grande perda nos últimos anos na última sexta-feira, com a morte do compositor Francisco de Assis Menezes, que há algum tempo lutava contra o câncer que acabou o levando.

Carioca, Menezes cresceu dentro da Portela, uma das mais tradicionais escolas cariocas e veio para Bauru a pouco mais de dez anos, onde se tornou compositor da Mocidade Independente de Vila Falcão e depois da Cartola.

Na escola, Menezes ganhou quatro títulos. “Ele foi o maior compositor e o maior puxador de samba do Carnaval de Bauru dos últimos anos”, avalia Paulo Madureira.

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