Pura fé, banhada pela cultura e culinária do Norte. Todo ano, devotos do País inteiro vão a Belém, no Pará, louvar a Virgem Maria: é o Círio de Nazaré. A celebração, que chega ao 21º ano, dura 15 dias e começa na próxima semana.
Em 2001, dois milhões de fiéis participaram. Uma romaria fluvial, no sábado de manhã, antecede a celebração paraense desde 1986. No ano passado, cerca de 500 embarcações estiveram presentes. A estátua da santa atravessa a Baía de Guajará, saindo do distrito de Icoaraci até o cais de Belém. Depois é levada à capela do Colégio Gentil Bittencourt (localizado perto da Basílica de Nazaré, ponto final da homenagem).
Do colégio, a imagem é levada à Catedral da Sé no sábado à noite. Somente no domingo de manhã ela retorna à Basílica, onde permanece durante mais um ano. Esse caminho de ida e volta representa a origem do Círio.
Segundo a tradição, o nativo Plácido José de Souza encontrou uma estátua de Nossa Senhora às margens do igarapé Murutucu - atualmente ali se localiza a Basílica. Ele teria levado a estátua para casa, mas ela voltava misteriosamente para o local onde havia sido achada.
O episódio ganhou fama na região como sendo um milagre e atraiu centenas de fiéis para ver de perto a santa. “O Círio é vivenciar essa experiência do retorno. Por isso, a santa sai do colégio, perto da Basílica, e vai até a Catedral para voltar à Basílica”, disse João José Maroja, coordenador do evento. Na procissão é usada uma réplica da imagem encontrada por Plácido. “A original está entronizada na Basílica, só saiu de lá quando o Papa esteve aqui.”