Bairros

Regiões altas continuam sem água

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar dos reservatórios do Departamento de Água e Esgoto (DAE) terem amanhecido com níveis razoáveis ontem, vários bairros de Bauru, principalmente os das regiões mais altas, enfrentaram mais um dia sem água. A autarquia recebeu 300 reclamações.

“A maioria dos reclamantes mora em regiões altas. Os bairros mais problemáticos são os Altos da Cidade, Centro, Vila Universitária, Jardim América e Mary Dota”, conta Sandra Faria, assessora de imprensa do DAE.

No Jardim Aeroporto também está faltando água. Maria Cecília, que preferiu não revelar seu sobrenome, conta que está recebendo água apenas à noite há três dias. “Não tenho água para lavar roupa porque a torneira da máquina de lavar é direto da rua”, reclama.

Acostumada a utilizar a água da rua para cozinhar, ela diz que está fazendo as refeições fora de casa. “Tenho receio de usar a água da caixa, apesar de limpá-la sempre, para cozinhar. Estou tendo uma despesa a mais com isso. Acho um absurdo faltar água. Pago impostos e acho que a prefeitura teria que investir mais nesse setor, perfurar mais poços”, reclama.

O DAE continua abastecendo creches, escolas, clínicas e residências com caminhão-pipa. Ontem, os caminhões levaram água a moradores do Mary Dota e Jardim Ivone e a várias escolas e creches, segundo a assessora de imprensa da autarquia.

Também foram abastecidos estabelecimentos comerciais e clínicas do Centro, Altos da Cidade e Jardim Aeroporto. “Estamos com os três caminhões-pipa na rua. Um tem capacidade para dez mil litros de água e os outros dois para seis mil litros cada um”, conta Sandra.

Apesar da situação considerada crítica, o DAE ainda não adotou rodízio ou racionamento. “Essas são medidas extremas, que só serão adotadas em último caso”, explica. Sandra ressalta que o nível do rio Batalha subiu um pouco com o desligamento de uma das três bombas em operação - havia reduzido 21 centímetros na segunda-feira.

“A terceira bomba está sendo ligada só à noite ou madrugada. Com isso, o rio recuperou um pouco”, revela ela. Apesar da recuperação, a terceira bomba não voltou a operar 24 horas. “Não podemos ligá-la o dia todo porque seria uma exploração predatória do rio”, argumenta a assessora.

Na análise dos técnicos do DAE, a população tem economizado água, o que teria contribuído para a recuperação dos níveis dos reservatórios. A autarquia pede a colaboração dos moradores de prédios mais antigos, cujas válvulas das descargas dos sanitários fecham-se com a pressão da água.

“Se não tem água, a válvula não fecha. E quanto a água chega, acaba escorrendo sanitário abaixo”, explica Sandra. A orientação do DAE é para que o registro da descarga seja fechado. O problema não ocorre quando a caixa d’água é acoplada ao sanitário.

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