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Abuso, prejudicial, como...


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A partir da descoberta da penicilina, reconhecidamente o mais antigo e usual dos antibióticos, desvendado pelo bacteriologista inglês, Alexander Fleming, não pára a guerra travada pela comunidade científica contra as bactérias em geral, as quais proliferam abusivamente em conseqüência das péssimas condições de higiene que se investem sobre grande parte das populações, pois, como se sabe, lançando-se sobre as moradias mais modestas, muitas vezes em forma de enormes enxurradas pluviais, favorecem todo contágio infeccioso.

Notoriamente alarmados com a capacidade de resistência dos milhões de germes, cientistas de todo o mundo vêm gastando inteligência em pesquisas e muito dinheiro na descoberta de outras drogas, tão sofisticadas quanto consigam, capazes de eliminar os mais ferozes microorganismos. A batalha vem de anos, mas ainda não pôde mostrar vencedores e vencidos, porquanto se de época em época a ciência logra novos tipos de antibióticos a onda de vermes, por seu turno, não se conserva escondida ou estática, eis que suas espécies vão modernizando seus maquinismos de defesa e ataque, usando-os para sua multiplicação e investidas através das quais vitimam inexoravelmente enormes massas de pessoas, no que vão sempre bem longe porque as autoridades neglicenciam em relação à venda indiscriminada dos medicamentos ditos específicos, com o que exorbitam nas indicações e fazem vistas grossas quanto aos seus inconvenientes. Constata-se, em consequência, que o homem comum não recorre ao médico e, sim, diretamente, aos balcões das farmácias, nos quais faz ele mesmo o seu receituário, num abuso incontestável dos mais diversos tipos de antibióticos, com, naturalmente, desastrosos resultados porque as pessoas que se automedicam não olham os diagnósticos, observando apenas os efeitos, porquanto lhes faltam condições para estabelecer diferenças entre uma infecção viral e uma bacteriana, ingerindo drogas, conseqüentemente, sem consciência dos riscos que elas representam para a sua saúde.

“Eis porque - afirmam médicos - nos últimos anos tem surgido uma série de antibióticos muito promissores sob o ponto de vista da eficácia, do espectro, da potência e da tolerâcia, mas, apesar disso, se percebe que não diminuiu significativamente o número de infecções evitáveis. Um exemplo disso é que até à anterior década de 40 não havia medicamento capaz de vencer a pneumonia. Então, a partir da descoberta de Fleming, encontrou-se na penicilina uma droga altamente eficaz no seu combate. Infelizmente, porém, a pneumonia continua matando quase na mesma proporção em que matava no início daquele século”... E durma-se com um barulho desse! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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