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Avanços e retrocessos no processo eleitoral


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Análises curiosas têm sido feitas do resultado das eleições. Por exemplo, a de que o Enéas Carneiro (Prona) não teria conquistado seis cadeiras na Câmara dos Deputados se tivesse aproveitado o tempo de televisão para expor suas propostas. Se ele tivesse apresentado algumas idéias, é provável que parte de seus eleitores buscasse outro nome para despejar seus votos de protesto. Mas, neste caso, seria igualmente possível que o agrupamento mais à direita no espectro partidário ganhasse novas adesões daqueles que se identificassem com seu ideário. Vale ainda lembrar que os simpatizantes do Prona foram largamente expostos às promessas dos demais candidatos. Nem por isso votaram neles.

De outro lado, há avanços inegáveis. Os candidatos ao segundo turno da eleição presidencial e, com raras exceções, os escolhidos para os governos dos principais Estados não têm biografias associadas ao populismo. Nem estão próximos de esquemas caracterizados por receber contribuições de campanha em troca de favoritismos posteriores. Não se elegeram alguns dos políticos notórios que marcaram suas administrações pela falta de respeito com a ética - para dizer o mínimo -, embora ainda obtivessem grande número de votos.

O clientelismo foi responsável pela escolha de parte dos membros do Legislativo, retirando de cena políticos sérios e preocupados com o interesse público. E três políticos notáveis, que haviam renunciado a seus mandatos no Congresso, conseguiram voltar ao cenário parlamentar. Em contraposição, deputados e senadores de alta qualidade, eleitos com base em credibilidade e propostas de atuação consistentes, poderão liderar as futuras votações no Congresso e nas Assembléias Legislativas. Deles dependerá o avanço das reformas postergadas, a começar pela política, tão necessária para corrigir distorções como as evidenciadas no pleito atual.

Para os governantes eleitos, chegará a hora de cumprir promessas. Passada a polarização do segundo turno, será preciso semear um projeto de crescimento em meio a estremecimentos inflacionários e solavancos cambiais. A suposta vontade política de tomar medidas para ativar setores fortemente geradores de emprego, como a construção civil, estará sob teste. O mais importante, até o momento, é que consolidamos a democracia. Fica aos eleitos o desafio de torná-la cada vez mais participativa, por meio da construção de canais de diálogo permanentes com a sociedade civil organizada. (O autor, Artur Quaresma Filho, é presidente do SindusCon-SP – Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo e coordenador da Comissão da Indústria da Construção da Fiesp)

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