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"Non é vero...?"


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Acenderam-se novamente os poderosos holofotes do grande estádio eleitoral e a enorme galera está sendo atraída outra vez pelas jogadas eletrizantes dos “craques” que disputam seus aplausos através das urnas eletrônicas. É o segundo turno do certame que, no seu final, colocará no pódio novo presidente da República, novos governadores estaduais e respectivos vices, os reservas bem selecionados das respectivas equipes. E, na sua notória fisionomia de returno, percebe-se claramente que as jogadas são iguais às da etapa anterior, com os candidatos aproveitando enganosamente os mesmos chamarizes eleitorais adotados no primeiro turno, ainda que tenham consciência de que nada farão daquilo que solenemente prometem, pois sabem de cor e salteado que a memória do povo é de uma debilidade extrema, não permitindo que sejam lembrados os tipos de vales e montanhas que já lhe tenham sido desenhados.

De tudo resulta a convicção de que os maus governantes são um reflexo insofismável dos maus votantes, impossível que é fazer-se um bom edifício com argila ordinária e sem cimento ou vencer-se uma batalha com tropa desmoralizada. Promessas são livres, sem dúvida, mas levá-las a efeito é obrigação indeclinável de quantos a façam, não podendo ser consideradas exclusivamente, apenas, iscas tentadoras com as quais muitos têm galgado elevadas posições nas mais importantes e magnificamente remuneradas funções executivas e legislativas, para tanto usando e abusando de engodos veiculados deliberadamente em comícios, imprensa, televisão, rádio e outros meios de comunicação ao alcance de suas bocas e de seus braços.

No dia em que o eleitorado prestar mais atenção no que os políticos prometem e de forma nenhuma cumprem, pouquíssimos postulantes conseguirão eleger-se mais de uma vez. Aconselha-se, conseqüentemente, que o convite para o returno que a legislação pertinente está dirigindo agora ao eleitorado seja entendido como uma nova oportunidade para que os bem intencionados votantes se dirijam sempre às suas seções cônscios das responsabilidades que a cidadania lhes impõe, despertando-lhes o dever patriótico de colocar nas almofadadas cadeiras dos cargos púbicos o que de melhor esteja inscrito no quadro da Justiça Eleitoral, pois é evidente que o País está carente de ações honestas e inteligentes e não de acenos destituídos de correta aplicação. “Non é vero, cáspita?”, como balbuciam os italianos na novela e fora dela. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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