“A realidade dos fatos é triste. As empresas filiadas à Abeiva estão passando pelo momento mais crítico desde a criação da entidade, em 1991. Estamos preocupados com a viabilidade do negócio de importados, principalmente em razão da alta taxa do dólar. Os empresários podem até perder seus empreendimentos no Brasil, mas quem mais sairá perdendo com isso serão os consumidores.â€
Assim o presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), André Müller Carioba, resumiu a situação dramática por que passa o setor atualmente no Brasil. Desde o estouro da crise cambial e da disparada da moeda americana no País, a entidade vem sofrendo com os reflexos negativos do preocupante momento econômico nacional.
Exemplos disso podem ser vistos pelos dados divulgados pela própria Abeiva (veja infográfico). A persistência da alta do dólar ao longo do mês de setembro fez desabar, pelo segundo mês consecutivo, as vendas de carros importados no atacado das empresas filiadas à entidade.
Depois de ter registrado em agosto uma queda de 34,4% em relação ao mês anterior, em setembro anotou-se diminuição de 13,8% em relação a agosto. No mês passado, a totalização chegou a 519 unidades, contra 602 veículos do mês anterior.
No acumulado de nove meses, os resultados mantiveram a tendência. Foram 7.536 unidades contra 11.720 veículos em igual período do ano passado, registrando uma queda de 37,2%.
“Com dólar médio, em setembro, acima de R$ 3,60, foi impossível sustentar as vendas em patamares razoáveisâ€, afirma Carioba, para quem os fatores da eleição presidencial e da transição de governo estabeleceram um clima de instabilidade em relação a produtos importados.
“Mas, continuamos apostando nesse segmento, na expectativa de que pós-eleição o mercado brasileiro reaja favoravelmente. Hoje, mesmo com a possibilidade da eleição de um candidato da oposição, o ambiente é melhorâ€, argumenta ele.
Segundo o presidente da Kia Motors, José Luis, 2002 é um ano para ser esquecido pelas importadoras. “Se o dólar se mantiver em patamares próximos a R$ 3,86, a inflação grande voltará e todos irão querer subir o preço dos automóveisâ€, prevê ele. “Estamos ainda com preços razoavelmente competitivos, mas à custa de muitos sacríficios que fariam economistas choraremâ€, acrescenta Carioba.
Expectativa
Os resultados obtidos pelo setor importador em geral também não foram nada animadores. Em setembro, o total de carros importados atingiu 6.896 unidades, volume 24,4% inferior se comparado ao mês de julho, quando chegou-se a 9.126 veículos.
O mesmo total, no entanto, representou queda de 45% se comparado às 12.542 unidades vendidas em setembro de 2001. No acumulado, a queda é de 40,6% - 84.459 unidades em 2.002 contra as 142.279 do ano passado.
“Mesmo diante da queda de vendas, vamos manter nossa projeção de 10 mil unidades para este ano, lembrando que, apesar do cenário incerto, vamos tentar alcançar, no último trimestre do ano, algo em torno de 900 unidades/mêsâ€, estima Carioba.