Política

Para Garmes, recuo do IPTU é vitória

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O vereador Toninho Garmes (PSDB) encarou com sabor de vitória a retirada do projeto de lei que realinhava os valores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) da pauta de discussão e votação da Câmara Municipal. A proposta, de autoria do Poder Executivo, seria discutida na sessão legislativa de amanhã.

Mas anteontem, o prefeito Nilson Costa (PPS) encaminhou ofício ao Poder Legislativo determinando a retirada do projeto. Ele alegou que a proposta ficou “desfigurada” com as emendas dos vereadores. Ele só vai encaminhar novo projeto no ano que vem.

“Essa decisão do prefeito é demagógica”, critica o vereador tucano. “Embora demagógica, a retirada do projeto é uma vitória da oposição contra esse reajuste abusivo do IPTU que se pretendia”, avalia.

O parlamentar diz que não procede o discurso do prefeito para justificar a correção dos valores da planta genérica, no qual ele falava em “justiça tributária”.

“Eu sempre disse que o reajuste que estava sendo imposto não era aquele que ele (Nilson) falava pela imprensa”, comenta. O tucano chegou a desafiar o prefeito em relação aos percentuais de reajuste que foram divulgados.

“O prefeito afirmou que o reajuste, no global, chegaria a 11,68%. Eu falei que daria uma margem de erro de 25%. Se ele me provasse que a planta genérica seria reajustada até 15%, eu votaria favorável ao projeto, chamaria a imprensa e diria que sou um mentiroso”, lembra.

Na situação contrária, Nilson deveria fazer o mesmo. “Ele não disse que mente, mas retirou o projeto para reestudo. Implicitamente o prefeito assume que mentia na questão da planta genérica.”

Para o parlamentar, administrar uma cidade aumentando impostos é fácil. “Aumentando os impostos qualquer incompetente pode ser prefeito”, critica.

Garmes reforça sua tese de que o projeto de realinhamento do IPTU, do jeito que estava, não iria promover justiça fiscal.

“O prefeito usava como argumento o Centro da cidade, onde realmente os valores venais estavam muito acima do valor real da propriedade. Mas a comunidade entra com requerimento de revisão. A maioria é aprovada”, informa.

O vereador afirma que mesmo aprovada a revisão da planta genérica, os valores venais dos imóveis da região central da cidade ainda ficariam acima dos valores reais.

“A planta precisa de ajustes. É necessária uma readequação da planta genérica sim, mas não da forma como foi proposta, com a única finalidade de aumentar arrecadação. Não é por aí.”

Ainda segundo o tucano, a legislação federal não obriga as prefeituras a promoverem revisões em suas plantas genéricas como diz Nilson.

“Não é verdade. A lei federal não teria força para obrigar esse tipo de coisa porque a Constituição Federal é democrática de direito e dá ao município autonomia e o peculiar interesse. Aonde a planta estiver defasada deve ser feita uma reavaliação”, finaliza.

‘Na lata do lixo’

O presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da Silva, acredita que as articulações nos bastidores da Câmara Municipal contribuíram para que o prefeito Nilson Costa (PPS) retirasse o projeto de realinhamento da planta genérica da pauta da sessão legislativa de amanhã.

“Jogaram na lata do lixo um trabalho do qual participamos durante mais de três meses de elaboração”, afirma. Ele reafirma que uma boa parte da cidade continua com os valores venais dos imóveis defasados.

“Os valores do IPTU estão baixos e podem ter certeza que ninguém vai pedir para aumentar”, diz. Martinho analisa que parte dos vereadores estavam receosos de aprovar o realinhamento porque os valores do IPTU poderiam duplicar na periferia.

“Já protocolamos, há 20 dias, um ofício na Câmara nos colocando, mais uma vez, à disposição da Casa para rediscutirmos a planta genérica. Mas nem resposta tivemos. Preferiram se omitir”, critica.

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