Criar uma cultura de comunicação é o passo decisivo que as empresas devem dar rumo à qualidade e ao conceito de comunicação total.
Neste sentido, todas as pessoas de uma corporação fazem parte deste processo, do presidente à telefonista, e para integrá-los nesse sistema de informação foi criado o mídia training, que começou como um treinamento de mídia para capacitar executivos para as relações com os meios de comunicação.
“Mas a sociedade democrática fez com que a empresa precisasse aperfeiçoar suas relações não com a imprensa, mas com a própria sociedade. A imprensa é o ponto de interseção da sociedade com diversos agentes políticos, sociais e econômicosâ€, define o jornalista Francisco Viana, que foi repórter especial e das revistas Senhor, Isto É e Carta Capital e atualmente é consultor de empresas e dirige a área de estratégia da FSB Comunicações.
Autor do livro “De Cara com a Mídiaâ€, ele esteve em Bauru na última quinta-feira proferindo uma palestra aos alunos e professores do curso de relações-públicas da Universidade do Sagrado Coração (USC), promovida pelo Centro de Ciências Sociais Aplicadas da instituição.
Segundo Viana, nos dias de hoje, tudo numa empresa é comunicação e exemplifica com o simples ato do atendimento telefônico ou a situação delicada de um segurança, num momento de crise, de isolar a área ou permitir o acesso de jornalistas no local.
“Se isso é feito de maneira atabalhoada contribui que a imagem da empresa se torne negativa. De forma correta, contribui para a imagem positiva. Na verdade, hoje, todos os funcionários de uma empresa contribuem para esse processo. São agentes de comunicação, porta-vozes da empresa.â€
O consultor explica que esse fenômeno se deu com o crescimento do mercado, o acirramento da concorrência e a abundância de produtos.
A comunicação vai além de informar, se tornou um fator de competitividade. Viana cita que as grandes empresas automobilísticas e os grandes bancos já investem em especialistas de comunicação para fazer visível o seu diferencial. “A boa comunicação faz com que se mostre corretamente o que há de melhor.â€
“O conceito de mídia training extrapolou sua idéia inicial do simples relacionamento com a mídia, ele leva o empresário a uma visão política da sociedade e sua inserção no mundoâ€, avalia.
O consultor de comunicação revela que o processo no Brasil ainda está em fase de instalação e difusão, pois as empresas ainda não evoluíram o suficiente. Segundo Viana, elas se encontram num período de pré-democratização. Mas ressalta a grande pressão do próprio povo, ou seja, o público consumidor para reverter esse processo. “A cada dia cresce o número de leis que beneficiam o consumidor, o cidadão. Então, as empresas pagam caro por seus erros.â€
E os empresários ainda não viram os benefícios do bom relacionamento com a imprensa, bem como de suas estruturas internas. É uma relação semelhante à de um cliente de banco que conhece o gerente e pode ter ajuda nos momentos de crise.
“O caixa de um banco faz o trabalho de um comunicador. Se ele trata mal o cliente, em algum momento a empresa vai sofrer por esse problema de comunicação. O treinamento de lidar com a mídia e o cotidiano é uma coisa que precisa acontecer com freqüência. Antes de um problema chegar à imprensa, com certeza passou pela sociedadeâ€, comenta, citando que um desastre ambiental causado por uma fábrica só sai nos jornais depois que um grupo ou comunidade se manifestou contra.
Neste caso, se a empresa não for preparada para lidar seja com um ou outro grupo, com certeza terá problemas com a mídia.
Viana argumenta que numa democracia as relações com a mídia são fundamentais e o empresário estar preparado para esse relacionamento é mais fundamental ainda.
Resumindo, comunicação bem feita é dinheiro que se ganha, comunicação mal feita é lucro que se perde. O nome de uma empresa aparecendo negativamente na mídia estimula toda uma teia de relacionamentos do consumidor ao investidor.
Nesse processo, o consultor salienta que o assessor de imprensa passa a ser uma peça estratégica, ganhando força e novas atribuições na comunicação da empresa, indo além de um mero redator de releases ou um facilitador de agenda.
“O presidente hoje senta-se com o assessor de imprensa e, ao invés de mandar, acaba acatando sugestões desse mediador de consultorias. Um profissional de imprensa dentro de uma empresa é tão importante como um diretor financeiro ou de RH. Ele nunca esteve tão presente.â€