RH & Tendências

Empresa deve expandir comunicação

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

Criar uma cultura de comunicação é o passo decisivo que as empresas devem dar rumo à qualidade e ao conceito de comunicação total.

Neste sentido, todas as pessoas de uma corporação fazem parte deste processo, do presidente à telefonista, e para integrá-los nesse sistema de informação foi criado o mídia training, que começou como um treinamento de mídia para capacitar executivos para as relações com os meios de comunicação.

“Mas a sociedade democrática fez com que a empresa precisasse aperfeiçoar suas relações não com a imprensa, mas com a própria sociedade. A imprensa é o ponto de interseção da sociedade com diversos agentes políticos, sociais e econômicos”, define o jornalista Francisco Viana, que foi repórter especial e das revistas Senhor, Isto É e Carta Capital e atualmente é consultor de empresas e dirige a área de estratégia da FSB Comunicações.

Autor do livro “De Cara com a Mídia”, ele esteve em Bauru na última quinta-feira proferindo uma palestra aos alunos e professores do curso de relações-públicas da Universidade do Sagrado Coração (USC), promovida pelo Centro de Ciências Sociais Aplicadas da instituição.

Segundo Viana, nos dias de hoje, tudo numa empresa é comunicação e exemplifica com o simples ato do atendimento telefônico ou a situação delicada de um segurança, num momento de crise, de isolar a área ou permitir o acesso de jornalistas no local.

“Se isso é feito de maneira atabalhoada contribui que a imagem da empresa se torne negativa. De forma correta, contribui para a imagem positiva. Na verdade, hoje, todos os funcionários de uma empresa contribuem para esse processo. São agentes de comunicação, porta-vozes da empresa.”

O consultor explica que esse fenômeno se deu com o crescimento do mercado, o acirramento da concorrência e a abundância de produtos.

A comunicação vai além de informar, se tornou um fator de competitividade. Viana cita que as grandes empresas automobilísticas e os grandes bancos já investem em especialistas de comunicação para fazer visível o seu diferencial. “A boa comunicação faz com que se mostre corretamente o que há de melhor.”

“O conceito de mídia training extrapolou sua idéia inicial do simples relacionamento com a mídia, ele leva o empresário a uma visão política da sociedade e sua inserção no mundo”, avalia.

O consultor de comunicação revela que o processo no Brasil ainda está em fase de instalação e difusão, pois as empresas ainda não evoluíram o suficiente. Segundo Viana, elas se encontram num período de pré-democratização. Mas ressalta a grande pressão do próprio povo, ou seja, o público consumidor para reverter esse processo. “A cada dia cresce o número de leis que beneficiam o consumidor, o cidadão. Então, as empresas pagam caro por seus erros.”

E os empresários ainda não viram os benefícios do bom relacionamento com a imprensa, bem como de suas estruturas internas. É uma relação semelhante à de um cliente de banco que conhece o gerente e pode ter ajuda nos momentos de crise.

“O caixa de um banco faz o trabalho de um comunicador. Se ele trata mal o cliente, em algum momento a empresa vai sofrer por esse problema de comunicação. O treinamento de lidar com a mídia e o cotidiano é uma coisa que precisa acontecer com freqüência. Antes de um problema chegar à imprensa, com certeza passou pela sociedade”, comenta, citando que um desastre ambiental causado por uma fábrica só sai nos jornais depois que um grupo ou comunidade se manifestou contra.

Neste caso, se a empresa não for preparada para lidar seja com um ou outro grupo, com certeza terá problemas com a mídia.

Viana argumenta que numa democracia as relações com a mídia são fundamentais e o empresário estar preparado para esse relacionamento é mais fundamental ainda.

Resumindo, comunicação bem feita é dinheiro que se ganha, comunicação mal feita é lucro que se perde. O nome de uma empresa aparecendo negativamente na mídia estimula toda uma teia de relacionamentos do consumidor ao investidor.

Nesse processo, o consultor salienta que o assessor de imprensa passa a ser uma peça estratégica, ganhando força e novas atribuições na comunicação da empresa, indo além de um mero redator de releases ou um facilitador de agenda.

“O presidente hoje senta-se com o assessor de imprensa e, ao invés de mandar, acaba acatando sugestões desse mediador de consultorias. Um profissional de imprensa dentro de uma empresa é tão importante como um diretor financeiro ou de RH. Ele nunca esteve tão presente.”

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