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Sindtran quer retirar das ruas os ônibus 'corujões'

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

O Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Bauru (Sindtran) pediu a retirada dos ônibus circulares que circulam da meia-noite às 5h30, os “corujões”. O sindicato alega que motoristas e cobradores desses coletivos têm sido submetidos a humilhações por parte de usuários e que ocorre vandalismo no interior dos veículos.

O pedido foi feito à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). A assessoria de comunicação da empresa informa que o pedido está em estudo.

O Conselho de Usuários do Transporte Coletivo é contra a retirada dos ônibus. Rubens Roberto Rodrigues de Souza, presidente do conselho, afirma que haverá prejuízos para a comunidade, especialmente para as pessoas que trabalham à noite e dependem do transporte coletivo.

Dentre os motivos alegados pelo presidente do Sindtran, Elias Pinheiro, estão badernas, que seriam freqüentes nos “corujões”. “Os jovens saem dos bailes e embarcam bêbados nos coletivos. Brigam, pulam a catraca, fumam, tomam cerveja. Fazem todo tipo de baderna e, quando são repreendidos, humilham os trabalhadores”, relata.

Para o sindicalista, a situação chegou ao limite. “Um jovem foi atingido por um tiro dentro de um coletivo. Os problemas acontecem todos os dias, mas se acentuam nas noites de sábado para domingo e em véspera de feriado”, afirma.

Pinheiro sugere uma adequação nos horários dos circulares para a supressão do “corujão”, especialmente nos finais de semana. “O público maior nesses dias é do pessoal que sai de casa para lazer e recreação. Nossa sugestão é que o último horário de ônibus comum seja prolongado e o primeiro seja antecipado. Desta maneira, os trabalhadores poderão ter o transporte sem ter que suportar mas aberrações dos jovens”, opina.

O sindicalista acha que a medida não prejudicaria os trabalhadores. Ele ressalta que vai discutir o assunto com sindicatos de categorias que trabalham mais à noite. Pinheiro reclama que a segurança interna dos ônibus tem recebido pouca atenção.

“Eu entendo que a polícia não pode ter uma viatura para cada circular, mas quando há problemas e os trabalhadores acionam a polícia, a desculpa é sempre a mesma: não tem viatura disponível para atendimento”, acusa.

Preocupado com a situação dos funcionários do transporte coletivo, o sindicalista se reuniu-se ontem com o Ministério do Trabalho, com o Conselho de Usuários e com a Emdurb. “Coloquei a nossa posição, mas a Emdurb não demonstrou interesse em suprimir o corujão”, completa.

Usuários

A doméstica Leonéia Pompeu discorda da tese do sindicalista Elias Pinheiro para justificar o pedido de supressão do “corujão”. “Eu nunca vi briga e gente bêbada dentro do ônibus. Percebo que os circulares trafegam lotados, tal é a necessidade”, afirma.

Ela diz que usa a linha do corujão que atende o Núcleo Geisel, embora more no Jardim Nicéia. â€œÉ a linha mais próxima. Uso sempre o horário das 4h, do Centro para o Geisel. É a única maneira da gente voltar para casa depois de se divertir. Vamos aos bailes e precisamos do ônibus para retornar para casa”, explica.

Ela não acha que a solução seja alterar os horários. “Seria ruim porque não poderíamos sair do baile na hora que der vontade e pegar o circular”, pondera.

O frentista José Carlos da Silva concorda com a doméstica. “Sem o corujão não vamos poder nos divertir. É o nosso meio de transporte nos finais de semana. Sou contra retirar essa linha. Vai fazer falta. Tenho dois irmãos que também usam o “corujão” nos finais de semana”, opina.

Ele afirma que usa a linha que serve o Geisel. “Nunca vi brigas e nem desaforos contra os funcionários das empresas”, diz. Matias Muniz, morador do Jardim Carolina, não usa o “corujão” porque acha perigoso o transporte coletivo da madrugada.

“Eu prefiro pagar R$ 4,00 por um mototáxi do que arriscar minha vida. Eu acho o corujão muito inseguro. Os moleques pulam a catraca e fazem baderna nos coletivos”, afirma.

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PM sugere mudança de pontos de partida

A sugestão do comandante da 1.ª Cia da Polícia Militar, Benedito Roberto Meira, é para que os pontos de partida dos “corujões” sejam mudados. “O embarque poderia passar a ser feito próximo das bases comunitárias da PM. No centro comercial, o embarque seria feito na Praça Machado de Melo; na zona sul, na Praça Portugal, e assim por diante”, diz.

O capitão é contra a supressão do ônibus “corujão”. “Acho que não deveriam retirar. Talvez fosse interessante reduzir o número de linhas, se for necessário”, opina. Meira diz que a PM não tem estatística dos vandalismos ocorridos nos coletivos porque a maioria deles não seria registrado pelos funcionários das empresas.

“Eles (motoristas e cobradores) procuram a polícia só quando o caso é grave”, explica. Os furtos e roubos, segundo o comandante da 1.ª PM, ocorrem mais nas linhas convencionais, e não no “corujão”. “No corujão o que ocorre é baderna, coisa de moleque”, conclui.

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