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Gustavo Cândido
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A quarta edição do Festival de Teatro Amador de Pederneiras (Festep) que terminou no último domingo, revelou uma boa surpresa para o teatro amador de Bauru. Os seis grupos locais, que competiram com mais dez companhias de cidades da região, ficaram com os principais troféus do evento, que premiou espetáculos nas categorias adulto e infanto-juvenil.

Segundo o ator e diretor teatral Val Rai, que presidiu o júri do evento, também composto pela atrizes Mariza Basso e Márcia Denise, a Madê, o bom desempenho dos grupos de Bauru é resultado de uma melhora na qualidade dos trabalhos em relação aos últimos anos.

“Tenho acompanhado os trabalhos dos grupos de Bauru na cidade e também no Festival de Pederneiras há algum tempo e posso perceber como há uma busca por novos caminhos que gera um crescimento qualitativo dos trabalhos de Bauru em geral”, diz.

Para Val Rai, os grupos bauruenses têm tido uma grande ajuda da Secretaria Municipal de Cultura e também da Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes”, que têm cedido espaço para apresentações - propiciando aos grupos uma experiência prática fundamental, principalmente no que diz respeito à parte técnica - além de cursos e workshops. “Há uma maior motivação visível entre os grupos de Bauru por causa disso”, avalia.

Termômetro

Como Bauru não organiza um festival de teatro amador na cidade, o evento de Pederneiras tem servido nos últimos anos como termômetro para os grupos locais. “Existem outros festivais na região, como o de Marília, por exemplo, mas muitos grupos não participam pela distância e dificuldade de levar seus materiais. Por isso o Festep tem sido cada vez mais prestigiado”, explica o ator.

O festival apresentou, em nove dias de duração, 16 espetáculos em competição de grupos de Bauru, Jaú, São Manuel, Pederneiras e Vanglória. O grupo Theatrai, de Macatuba, que participou de outras edições do evento, ainda fez um espetáculo fora da disputa de prêmios no dia do encerramento.

Representaram Bauru os grupos: Teatro Universitário Veritas, com a peça “Vem Buscar-me que ainda Sou Teu”; Enquanto ela Não Vem, com “Uma Lição Longe Demais” (ambos na categoria adulto); Seta, com “Avatar”; Nova Vida”, com “A Herança”; Equipe Mala e Cuia de Teatro, com “A Bruxinha Que Era Boa”; e o Grupo de Teatro Educativo Abertura, com “Uma Pensão Muito Louca” (na categoria infanto-juvenil).

A peça “A Bruxinha Que Era Boa”, de Maria Clara Machado, do Equipe Mala e Cuia... abocanhou nada menos do que oito troféus na categoria infanto-juvenil: melhor cenário, figurino, maquiagem, sonoplastia, iluminação, coreografia, atriz revelação e direção. Além disso, a peça levou o prêmio de primeiro lugar em sua categoria.

Nas apresentações dos adultos o Teatro Universitário Veritas venceu os prêmios de maquiagem, cenário, atriz e atriz coadjuvante, além de ter sua apresentação considerada a melhor na categoria. “Uma Pensão Muito Louca” ficou com os troféus para ator revelação, figurino e coreografia; o Enquanto ela Não Vem levou o de melhor ator coadjuvante; o Nova Vida venceu a melhor sonoplastia; e o Seta, levou os prêmios de melhor iluminação e de direção, para o veterano Paulo Neves.

A participação bauruense ainda contou com um prêmio de incentivo ao teatro comunitário para Dora Girelli, diretora do Grupo de Teatro Educativo Abertura e um troféu de direção revelação para Vânia Fonseca, que dirige e coordena o grupo Enquanto ela Não Vem, formado por reeducandos do Instituto Penal Agrícola de Bauru (IPA).

De acordo com Val Rai, a extensa premiação dos grupos de Bauru foi uma surpresa, mas maior que isso ainda foi o fato de que cada grupo tem uma trajetória distinta e desenvolve trabalhos com diversas linhas. “Os prêmios mostram que todos têm e estão buscando qualidade nos seus trabalhos”, afirma.

As boas surpresas da cidade no festival, segundo o ator, foram o grupo do IPA e o Nova Vida, do Lar Escola Santa Luzia, que apresentaram espetáculos muito belos apesar de não terem muita experiência. “Eles apresentaram uma boa dramaturgia, desenvolvida por eles mesmos, o que é muito importante”, avalia.

Além deles, a grande e boa novidade para Val Rai foi a Equipe Mala e Cuia de Teatro, da E. E. “Carolina Lopes de Almeida”. “Eles levaram os principais prêmios e representam uma escola pública. É muito bom saber que existe uma escola que se preocupa com o teatro, incentiva e desenvolve um grupo com tanto potencial”, elogia.

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