Quem percorre a Rio-Santos com destino a Ubatuba muitas vezes volta para casa desinformado do que a cidade reserva em termos de ecoturismo. Para conhecer a fundo esse paraíso tropical é preciso tempo e fôlego para adentrar em suas matas, praias desertas, trilhas e cachoeiras.
Essa cidade com mais de 360 anos de história e que preserva sua cultura caiçara tem mais de 70 praias em 100 quilômetros de costa. Por isso esconde lugares maravilhosos e pouco explorados em meio a mata atlântica e o mar.
Lugares perfeitos para quem se amarra em ecoturismo, aprecia praias desertas ou quer apenas descansar sobre uma frondosa árvore nativa comendo peixinho frito servido pelos nativos. O gostoso de Ubatuba é que ninguém precisa se preocupar com guarda-sol na praia. A vegetação se encarrega de deixar a areia sombreada, perfeita para ser curtida tanto pelos banhistas quanto pelos exploradores.
Falando em exploração, há muito para se ver e fazer no município que possui belezas naturais intocadas. Uma visita às ruínas do antigo engenho de açúcar e álcool, construído pelos imigrantes italianos que passaram pela região, na área da Fazenda Picinguaba é imprescindível.
O roteiro ao lugar conhecido como Casa da Farinha é oferecido por algumas empresas de turismo de Ubatuba e inclui o passeio ecológico ao Núcleo Picinguaba. O núcleo é apaixonante. Tem uma praia de tirar o fôlego com águas verdes e transparentes, boas pousadas como a Porto do Engenho e um restaurante que serve o típico azul-marinho, garoupa em postas cozida na panela de ferro com banana-nanica-verde. É especial para quem quer sossego para depois se embrenhar nas trilhas, como a do Corisco, que leva às diversas cachoeiras da região.
• Serviço
O Recanto das Toninhas é o lugar mais indicado para quem quer se hospedar com charme em Ubatuba.
A cidade conta com pousadas mais simples, campings e casas de veraneio.
A viagem de carro Bauru-Ubatuba leva cerca de seis horas. Depois de atingir Campinas (Washington Luís - Anhanguera - D. Pedro I), siga pela Carvalho Pinto e depois pela Tamoios e Rio-Santos.
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O Projeto Tamar
O Projeto Tartarugas Marinhas (Tamar) foi criado em 1980 pelo Ibama e tem como patrocinador oficial, a Petrobrás, para proteger da extinção as cinco espécies de tartarugas que utilizam o litoral brasileiro para se alimentar e se reproduzir.
Desde 1991 o Tamar vem atuando em Ubatuba desenvolvendo o programa de proteção das espécies em áreas de alimentação, com atividades voltadas à educação ambiental, pesquisa científica e ações sociais e comunitárias envolvendo os moradores locais. Com o apoio voluntário dos pescadores foram salvas e marcadas mais de 3 mil tartarugas marinhas presas em redes de pesca.
A base do Tamar em Ubatuba conta com um centro de visitantes, na praia de Itaguá, quase no centro, onde estão expostas em tanques exemplares vivos de quatro diferentes espécies de tartarugas marinhas, réplicas e silhuetas de tartarugas em tamanho natural, representação de desova e nascimento de filhotes, painéis fotográficos, museus com peças naturais, auditório para exibição de vídeos, biblioteca para consulta, lojas de souvenir, lanchonete e ainda o Museu Caiçara com mais de 200 peças.
O projeto é aberto a visitação pública, de domingo a quinta-feira, das 10h às 20h.
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Picinguaba dos caiçaras
Explorando as reentrâncias da costa de Ubatuba, os aventureiros encontrarão cachoeiras, praias afastadas, ruínas de fazendas, além de comunidades indígenas e de caiçaras. Esses trechos, chamados pelos nativos de “sertão†(área rural junto às serras) são um exemplo de como Ubatuba ainda conserva seus jardins secretos, como o Núcleo Picinguaba, que começa no quilômetro 11 da rodovia Rio-Santos, entre Ubatuba e Parati.
O núcleo e o Parque Estadual da Serra do Mar, criado em 1977, detém 80% de área de mata intocada do município.
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Rota náutica
Por estar localizada no trecho mais recortado e bonito do litoral norte paulista, Ubatuba também é um paraíso para os amantes de esportes náuticos. O Saco da Ribeira é sinônimo dessa vocação turística. É um ancoradouro natural, com movimentadas marinas que abrigam embarcações de todo o mundo.
Como as águas do mar de Ubatuba são claras, de excelente visibilidade, a cidade também é muito freqüentada por mergulhadores, profissionais ou não. Jacques Cousteau parece ter feito a fama do lugar. Tanto assim que uma estátua em homenagem ao oceanógrafo francês, em concreto, medindo 1,80 metro de altura e pesando 380 quilos, foi instalada na Ilha Anchieta, na Praia do Leste, a 9,3 metros de profundidade, por operadoras de mergulho.
Ubatuba é também a “capital do surf†e jet-ski. Por todas as praias a moçada bronzeada mostra o seu valor, seja pilotando as máquinas ou equilibrando-se nas pranchas sobre as ondas.
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Ex-prisão à beira-mar
As ruínas do prédio inaugurado no começo do século para ser um presídio correcional de menores, é hoje um marco turístico dentro do Parque Estadual da Ilha Anchieta, no extremo sul de Ubatuba.
O lugar que na década de 30 concentrou condenados e que em 1952 foi palco de uma das maiores rebeliões da história carcerária do País, é cercado de bela paisagem, por conta do verde da mata atlântica e do mar.
Para os visitantes, é difícil imaginar que um ponto cercado de tanta beleza foi no passado, palco de sofrimentos, como provam as solitárias e as mensagens escavadas no chão de concreto das celas.
O parque, com mais de 820 hectares, também abriga uma filial do Projeto Tamar, possui trilhas e praias (do Sul, das Palmas, do Presídio, do Leste) e prainhas lindíssimas como a do Engenho, que conta com piscina natural e tem fauna e flora preservadas.
As escunas com destino à Ilha Anchieta saem diariamente de Ubatuba às 10h. O turista passa algumas horas no parque - que tem churrasqueiras e espreguiçadeiras para uso coletivo - e retorna para seu lugar de hospedagem em Ubatuba. Na ilha não é permitido acampar nem há pousadas ou hotéis. Proposital para evitar estragos nesse paraíso ecológico.
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Gente humilde
Por todo o lado de Ubatuba - das praias centrais às agrestes - o turista depara com gente simples que escolheu a cidade como seu eterno refúgio. A maioria nativos, pescadores e catadores de mariscos, que depois de horas de caminhada junto às rochas em busca de sustento, retornam ao lar para o merecido descanso. Moram em casinhas simples, sombreadas por amoreiras centenárias - planta típica de Ubatuba - tendo como cenário uma vista exclusiva das ondas verdes do mar.
Cenário que hoje dividem com ricos, chiques e famosos que acabaram construindo seus refúgios na cidade, deslocando-se para seu porto seguro nos finais de semana, férias e feriados.