Impressionam extremamente os telespectadores em geral as cenas que aparecem apresentando ataques de cães raivosos contra quem quer que seja, sejam pessoas, especialmente crianças, e, da mesma maneira, animais de sua e de outras espécies. Deixou, portanto, marcas profundas no íntimo de muita gente a reportagem que algumas TVs exibiram, num dos últimos dias, na qual dois opulentos cachorros foram enfocados atacando e, em seguida, estraçalhando vigorosamente, uma pequena cadela, da qual sobraram então, unicamente, alguns ossos e nesgas de carnes. Não foi isso novidade nenhuma, considerando-se que, segundo o Instituto Pasteur, constatou-se que a raiva canina vem provocando a morte, só no Estado de São Paulo, de uma média anual de 68 pessoas. Os dados são elevados porque essa doença realmente é perigosa e mortal. Qualquer pessoa que, atacada por um cachorro raivoso, não tomar imediatas precauções, caminhará inapelavelmente para a extinção porque o vírus, atingindo o sistema nervoso central, não tem medicamento que obstaculize o falecimento do homem, da mulher ou do animal. O assustante vírus foi isolado por Louis Pasteur em 1884, quando o famoso químico francês produziu uma vacina anti-rábica, coroando experiências de vários cientistas que, em todos os continentes, vinham pesquisando a enfermidade e suas consequências. Somente depois da descoberta de Pasteur os sanitaristas da época lograram estabelecer o tratamento ideal preventivo da doença, estabelecendo que logo depois de vitimado por um animal do gênero, através de mordedura ou arranhadura, teria o paciente de se submeter à aplicação específica. Nos cães, a imunização produzida pela vacina dura cerca de um ano e, agosto, é específico para a sua vacinação, sendo por isso que, anualmente, nesse mês, sobre o qual muita gente tem fobia, os governos encabeçam campanhas intensivas com tal finalidade, guerreando seriamente o desenvolvimento da doença, que até meados do século 19 era atribuída a uma neurose misteriosa, que a ciência teimava em descobrir e não o conseguia. Finalmente obteve êxito, mas nem pelo fato de haver remédio para o mal podem as pessoas deixar de fugir dos cães, que normalmente se entremostram amigos da gente, mas, pensando-se bem, será que o são sinceramente? Muitos acham que sim, entre eles a atriz Bruna Lombardi (conhecem ou ouviram falar dela?), que todo cãozinho que encontre na rua pega no colo ou toma nas mãos e encaminha para sua casa a fim de alimentar ou cuidar de seu estado físico. É isso aí! É, igualmente, a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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