Bairros

Templos se concentram na periferia

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Os bairros periféricos são os mais visados pelas igrejas evangélicas. Eles concentram uma grande massa de pessoas carentes, tanto material, quanto espiritualmente, o que pode determinar o fortalecimento da religião nessas localidades.

De acordo com Ariovaldo Gomes Rocha, presidente da Associação dos Pastores Evangélicos Pentecostais de Bauru, a concentração dos templos ocorre nos pontos onde as pessoas mais precisam de assistência. “Não é só a palavra de Jesus que alimenta. As igrejas desenvolvem ações comunitárias que ajudam a população mais carente”, explica.

O Parque Jaraguá ilustra bem essa premissa. Somente em uma avenida, num espaço de seis quadras, a reportagem do JC nos Bairros localizou quatro templos evangélicos, cada qual relacionado a um segmento do protestantismo.

Apesar disso, Edson Valentin, pastor da Igreja Batista Bereana e membro do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru, explica que, a princípio, as igrejas procuram sempre se instalar em uma área que não tenha outro templo evangélico. “A idéia é arrebanhar as pessoas que ainda não freqüentam nenhum igreja”, destaca.

Ele classifica a proliferação de igrejas evangélicas de pequeno porte de duas maneiras: uma positiva e outra, negativa. “O lado positivo dessa história é que o crescimento das igrejas evangélicas pode trazer muitos fiéis para a religião. Por outro lado, o crescimento desenfreado traz a possibilidade da abertura de templos com líderes sem preparo para orientar os fiéis”, explica.

De acordo com ele, o Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru tem cerca de 400 templos registrados na cidade. Mas esse número não reflete exatamente a realidade. Muitas igrejas, principalmente as de pequeno porte, não têm registro junto aos órgãos públicos da cidade. “Há bastante templos que abrem e fecham sem que a gente nem fique sabendo”, declara.

Para tentar organizar os pequenos ministérios (templos), foi criada há quatro anos a Associação dos Pastores Evangélicos Pentecostais de Bauru. A entidade reúne apenas as igrejas de um determinado segmento do protestantismo (pentescotal) e conta com aproximadamente 170 associados.

O presidente da Associação, Ariovaldo Gomes Rocha, salienta que a entidade atende às necessidades das pequenas igrejas, dando apoio para os projetos sociais desses templos e organizando eventos para arrecadar fundos para o crescimento e manutenção das igrejas. “Nos quatro cantos de Bauru existem igrejas evangélicas e nem todas conseguem se fortalecer porque estão sozinhas”, diz.

Desemprego

Para Rocha, o crescimento das igrejas evangélicas está diretamente ligado às necessidades das pessoas buscarem a sua espiritualidade. “O mundo anda muito confuso e as pessoas estão buscando em Jesus as respostas para suas angústias”, conta.

Ele cita o desemprego como um dos fatores que estão aproximando os fiéis das igrejas evangélicas. “Essas pessoas ficam desesperadas, sem rumo e encontram um alento para a sua ansiedade no culto a Jesus”, destaca.

Já Luiz Carlos da Costa Valle, pastor presidente da Igreja do Avivamento Pleno, enfatiza que esse crescimento pode ser explicado pela simplicidade da mensagem dada pelas igrejas evangélicas. “A religião enfatiza o lado espiritual e as pessoas conseguem manter um contato mais próximo com Deus através da Bíblia”, salienta.

O alcance da mídia também foi um fator fundamental para a expansão da religião evangélica no País. Atualmente muitas igrejas se fazem presente em emissoras de rádio e tevê e estão em contato constante com os seus seguidores.

O modo de pregação apresentado pelas igrejas neopentecostais, mais moderno e interativo com o público, também ajudou no crescimento dos adeptos da religião. Com músicas e expressão de fortes emoções, esse segmento conseguiu levar para os seus templos uma grande quantidade de pessoas interessadas em fortalecer a sua espiritualidade.

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